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30 novembro 2012

A solidão de quem vai embora e de quem fica...



De muitas coisas que se passam neste planeta as doenças são uma das mais difíceis. Tem gente que diz que é carma, outros que a pessoa somatizou, guardou sentimentos ruins ou foi coisa que Deus quis, estava escrito.

Mas o calvário de algumas é terrível, não só para quem sofre, mas para familiares e amigos.
Talvez as que mais exigem são as doenças mentais, porque ao contrário das outras a pessoa nem sempre está consciente.

Quando alguém quebra uma perna você pode sentar na cama e conversar, mas quando a mente da pessoa foi embora não tem como manter um diálogo, se corta como se fosse uma corda e aparece um abismo gigante no meio das pessoas.

Mesmo com o avanço da medicina a mente continua sendo um grande mistério, apesar de tantos remédios poucos tem conseguido melhorar a vida de quem passa por isso.

Quem vai embora mentalmente entra em um espiral de solidão, ninguém entende o que a pessoa quer, nem aonde ela vai. Quem fica entra em um espiral de desespero, por não conseguir nem saber como ajudar e por perder o contato.

A mente é assim, parece um chuveiro elétrico, de repente dá um click, queima a resistência e não se pode fazer nada a respeito. Já vi pessoas que tinham todos os motivos do mundo para irem embora e não aconteceu nada, a mente delas continua no lugar e aqui e já vi pessoas que tinham tudo na vida um dia acordarem e não estão mais aqui.

Me falaram que problemas mentais podem ser problemas espirituais, mas a realidade é a seguinte, mesmo que fossem não sabemos como lidar com isso nem a cura. Problemas espirituais e cerebrais estão no mesmo patamar para quem passa por isso e vê o outro passar, não temos acesso a informação para poder ajudar.

O impacto de quem passa por isso é um dos mais fortes nesta vida, tanto de quem vai como de quem fica. Mas ninguém pensa em quem fica, todos se concentram na pessoa que perdeu contato, que a mente foi embora e não pensam em quem está ao redor e do nada, da noite para o dia perdeu alguém. Porque quando a mente desliga a gente perde a pessoa e sente falta disso, da amizade, das risadas, tudo se perdeu, não tem como se comunicar.

Quando minha avó ficou doente ela não me reconhecia mais, então a enfermeira me disse para continuar falando com ela normalmente, porque o que a mente não pesca o coração entende. Acredito nisso, mas quem já lidou com uma pessoa nessa situação sabe o cansativo que pode ser e além de tudo não tem mais diálogo, você fica com medo da pessoa se assustar com você, já que ela não te reconhece, cada vez que eu entrava no quarto dela o médico tinha que avisar quem eu era, caso contrário ela ficava agitada.

Ver uma mente se decompor na tua frente é a coisa mais triste que alguém pode ver no mundo. Só aí então percebemos que o corpo não é nada, é apenas um vestido regido pela alma e pelo cérebro, que se resolve sair de cena a pessoa fica como um trapo, um boneco de pano.

E a gente perde o amigo, quem a gente ama, assim do nada, de repente, sem saber para onde ele foi, como se estivesse em um mundo paralelo, distante. O coração pode reconhecer e chorar, mas é a mente que mantém a amizade, a conversa, essa fina corda que une as pessoas. Mas o amor pode tudo! É o que dizem, mas quem pode trazer de volta uma mente que foi embora?

É um abismo de solidão para todos que estão envolvidos nela, um aperto, um desespero, daqueles tão grandes que você fica desejando que a pessoa tivesse tido outra doença, qualquer uma, apenas no corpo. De repente combater uma doença física, por pior que seja parece mais fácil do que lidar com uma doença mental.

O ser humano em si já é tão sozinho e quando a mente o abandona ele fica ali, parado no tempo, vestido no seu corpo, mas sem rumo. E quem está ao redor tem um abismo na frente, não tem como ajudar, puxar a pessoa de volta. A única coisa em comum depois de anos de amizade é a solidão, que abraça quem fica e quem foi mentalmente embora.

Iara De Dupont

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