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14 outubro 2012

O tempo acaba com tudo



Que passado não vira fumaça?
A vida é estranha. Segundo uma amiga a vida é bem humorada e sádica, por isso eu vivo em crises existenciais, já que careço de humor e não sou masoquista.

Ontem aconteceu uma coisa que imagino fez a vida dar risada. Fui a uma farmácia, apenas uns quarteirões da onde moro. Chegando lá vi um ex-namorado no balcão com uma criança. Me escondi logo pelas centenas de prateleiras e fiquei esperando ele ir embora.

E por que não falei com ele? Porque não tenho nada a dizer e sei que ele é casado com uma garota meio brava.
Se eu fosse uma pessoa normal, dessas de comerciais de televisão, eu teria passado por isso e esquecido, mas como não sou fiquei o dia inteiro remoendo o que aconteceu.

Tantas coisas na minha vida aconteceram e tenho a impressão que foram há séculos, como se eu lembrasse da minha vida passada.
Talvez esse ex seja um dos poucos que passa longe da minha lista de ódios, sempre lembro dele com muito carinho. Mas não tinha como dar certo, sempre fomos opostos, hoje talvez daria certo, mas no tempo que nos conhecemos não tinha como fazer dar certo.

De tanto pensar cheguei a uma conclusão: não sinto saudades dele, sinto saudades pelo o que eu sentia por ele.

Depois dos trinta o coração fica mais cínico, já sabemos que ninguém morre de amor e as coisas parecem que chegam com amortecedores.

Sei hoje que as pessoas não são perfeitas e respondem a uma educação, carregam seus traumas, seus ideais e vão passar um bom tempo lutando contra si mesmas. Mas quem sabe disso aos dezoito anos? Sinto falta disso, de gostar de alguém sem pensar em tudo que envolve, na maior ignorância mesmo.

Mesmo assim garanto que o amor maduro é melhor, a gente sofre menos, porque não é tão ignorante, mas a intensidade é bem menor, não tem aquela emoção do começo da vida adulta.
Na época não tinha celular e quando eu chegava em casa ficava feliz se tivesse recado dele. Também pulava de alegria com os cartões de Natal que ele mandava e as bobagens que ele escrevia.

Esses amores são uma delícia porque a gente ama a pessoa simplesmente por amar, na inocência, na maior vontade de que as coisas funcionem. Depois com o tempo isso muda e da uma virada radical, a gente se apaixona e se pergunta se tem como lidar com a pessoa e seu mundo, milhões de perguntas aparecem e ficam sem resposta.

Senti falta da sensação daqueles dias. Lembrei de uma amiga falando de destino, eu acreditava nisso quando era garota, que as pessoas estavam destinadas umas as outras e que existia isso de amores de outras vidas.

E aprendi na marra que isso realmente existe, mas também existem dívidas de outras vidas, ódios que chegam vestidos de amor, pessoas que atravessam teu caminho e fazem ele impossível, não se consegue passar pela vida apenas conhecendo amores e coisas boas do passado,também chegam os pesadelos.

Não sei então se a vida é o que pensamos ou o que sentimos. Hoje penso com mais clareza, tenho uma noção real das coisas, mas não sinto mais o que sentia por alguém quando tinha dezoito anos. O que eu penso me ajuda a conhecer as pessoas e ter uma ideia, mas o que 
eu sentia me movia mais, me dava a impressão de que eu estava viva.

Coisas do tempo, por isso tem sua lenda, o Deus Chronos, o Deus do tempo, que por onde passa vai devastando tudo, sem deixar nada no caminho. Ele não devasta só a parte física,mas sim a alma também. Até a pureza dos sentimentos ele leva embora e deixa só o resto, o cinismo, que um dia também vai desaparecer, todos vamos desaparecer e não vai ficar nem o que sentimos ou pensamos. Tudo acaba.

Iara De Dupont

2 comentários:

Love Girls disse...

Esse texto me lembrou o filme mais violento que ja vi o "Irreversivel."Ele começa e termina com essa frase: "O tempo destroi tudo"

Marta SP disse...

Gostei do texto! Eu também já encontrei ex com criança em mercado, a sensação é estranha, e fingi que não vi, mas ele estava com esposa, namorada, sei lá.
Obs nada a ver: Love girls que comentou falou sobre o filme Irreversible, de fato, um dos filmes mais chocantes que eu já vi tb, mas sobre a frase "o tempo destroi tudo", nunca achei a relacao com o filme, ficou bem "déplacé" em relacao ao argumento.
beijo

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