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25 outubro 2012

A vergonha de ser gorda




Tem horas que a gente amassa o coração com as mãos
Fico feliz de pensar que muitas coisas só aconteceram comigo, isso quer dizer então que ninguém mais passou por isso e sofreu.
Hoje vi uma menina plus size dando uma entrevista e dizendo que nunca perdeu nada por ser gordinha, que a vida de uma magra é a mesma coisa que a vida de uma gorda.
Sorte dela. Existem coisas tão ruins como o bullying, uma delas por exemplo é que depois de anos você começa a dar bola ao que te dizem e os complexos aparecem tatuados da noite para o dia.

Uma vez conheci um garoto incrível. Diferente de tudo o que eu já tinha conhecido. Era meigo, doce, engraçado, tinha alguma coisa ali que me derretia. E não fui indiferente a ele. Estávamos na mesma peça de teatro de uma escola. As coisas aconteciam, a gente se dava bem demais, eu sabia que ele tinha namorada, mas não cruzávamos a linha. Ele era tímido  e eu não sabia como reagir, não tinha certeza do que ele sentia, eu nunca tinha sentido por ninguém o que senti por ele, não sabia o que deveria ou não fazer, era mais forte do que eu, e ao mesmo tempo me congelava de medo.

Tenho tantas imagens dele na cabeça! Em uma delas ele estava em um canto, comendo um sanduíche, assim que me aproximei se levantou e me ofereceu um pedaço.

Na estréia da peça a gente ficou. Me senti péssima e depois ele me ligou dizendo que tinha se sentido mal com tudo, mas não podia terminar o namoro, fiquei indignada e não falei mais com ele durante um tempo.


Nos encontramos depois nas aulas e começamos a namorar, mas éramos bobos, tímidos e estávamos cercados de pessoas ruins, que por algum motivo se irritavam com nosso namoro e jogavam veneno. Eu não soube reagir a isso, nem ele e acabamos nos afastando.

As aulas acabaram e perdi o contato. Dois anos depois encontrei a melhor amiga dele em uma festa, que também tinha trabalhado na mesma peça com nós, a moça a ficou bêbada e começou a me contar o que ele tinha dito sobre mim, ele dizia a ela que era louco por mim, mas que não me via muito a fim, meio que eu saia fora direto, parecia fugir dele e um dia ele disse que me ligou e eu fui gelada, diante do meu gelo resolveu não me procurar mais. Não lembro ter sido assim, até porque meu sangue é quente, mas ele jurou a essa amiga que eu nunca tive nenhum interesse real nele, que era apenas uma farrinha da minha parte, então ele achou melhor não insistir.


Dez anos se passaram depois desse encontro com sua melhor amiga. E um dia o telefone tocou. Era ele. Eu teria reconhecido essa voz até no último dos infernos. Fiquei absolutamente paralisada, apenas consegui perguntar como tinha meu número, já que eu tinha me mudado. E ele contou uma história incrível, que só acreditei quando confirmei. Ele estava trabalhando em uma peça e uma das atrizes era amiga de uma das minhas primas, justo a que eu não falava. Um dia minha prima pegou sua amiga nos ensaios e ele foi junto. Então minha prima contou que tinha um elemento na família, eu, a única que era atriz e de uma maneira ou outra meu nome veio à tona. Ele pediu o telefone, mas como ela não tinha, deu o da casa da minha avó, que deu meu número a ele.


Assim ele ligou e me convidou para ver a peça. Eu aceitei na hora e ficamos nisso.


No dia combinado eu me arrumei para ir. Quando cheguei a porta do teatro fiquei enrolando, atravessei a rua e sentei em um banco de praça. Eu queria muito ver ele, queria mais do que qualquer coisa no mundo, sabia que ele estava solteiro e eu também estava, achava do fundo da minha alma que a gente se devia esse encontro, porque já tinham se passado doze anos e eu nunca tinha sentido por ninguém o que senti por ele. Eu quis muito entrar ali no teatro, quis muito ver ele. Mas tinha um problema, coisa que  lembrei desde que ele me ligou, mas ali no banco da praça aquilo me paralisava. Quando conheci ele eu estava com vinte e cinco quilos a menos, a única fase magra da minha vida, na verdade magra não, mais leve. Fiquei com vergonha que ele me visse gorda. Sei que é a coisa mais estúpida para pensar, mas eu sou assim, penso coisas estúpidas o tempo inteiro.


Fui ao orelhão e liguei para minha melhor amiga. Ela me jurou que ele não ia reparar nisso e se realmente ainda gostava de mim nada ia mudar, pelo contrário, ela me disse cinqüenta vezes - Levanta a cabeça e vai.


Voltei ao banco da praça e me perguntei, o que seria mais justo? Deixar ele com a lembrança de uma moça cheinha que ele gostou ou chegar gorda na frente dele?


Meu orgulho, minha vaidade, meus complexos tauados guiando minhas ações e minha constante imbecilidade me fizeram decidir. Dei meia volta e fui embora.


Não liguei, não me desculpei, não inventei histórias.


Ele nunca mais ligou.Três anos depois disso como ironia do destino, fui fazer uma peça com a amiga da minha prima e não resisti e perguntei a ela sobre a estréia da peça. Como não fui na estréia ela perguntou a ele se eu iria no dia seguinte e ele disse que não. E ela perguntou o que tinha acontecido, ele contou que achava que  tinha forçado a barra, porque ligou, me procurou e de repente eu devia ter me sentido meio perseguida. E ainda disse:


-Achei que ela ainda gostava de mim sabe, sei que sempre gostei mais dela do que ela de mim, mas achei que agora a gente ia acertar os ponteiros sabe? Pensei que a gente ia se ver e rolar alguma coisa, mas pelo jeito pensei sozinho.

A garota diz que consolou ele, disse que alguma coisa podia ter acontecido e ele insistiu:


-Você não conhece a Iara,quando ela quer, ela faz, se não veio é porque 
não quis.

Não sei o resto da história, porque disse a ela que não queria ouvir mais nada.

Dois anos depois peguei coragem e liguei pra ele. A mãe dele atendeu, disse que ele morava nos Estados Unidos e estava casado. Foi a última vez que o caminho dele cruzou com o meu, depois disso nunca mais ouvi nada dele.


Não mudei meu destino por uma convicção, nem por uma ideia. Parei e fiquei gelada ali na porta do teatro por vergonha. Em noites longas como a de hoje choro de raiva, de tristeza, de frustração, por ter jogado uma oportunidade como essas apenas por ser uma complexada.

E mesmo assim não aprendi a lição. Joguei muitas oportunidades fora por vergonha de ser gorda.

Perdi ele e a oportunidade sem motivos reais. Foi tudo besteira da minha parte, paranoia, resultado de anos de bullying e histórias de homens que odeiam gordas e coisas assim. Não dei a ele a chance de me ver de novo, nem me dei a chance de viver alguma coisa boa com ele.

Queria mesmo ter tido um motivo bom para não ter visto ele de novo. Mas não tenho. Não vi porque pensei uma bobagem de mim e resolvi ir embora. E o problema não era nem ser gorda, é ser burra, porque é isso que eu fui.

Posso começar uma dieta de sopas e perder todo o peso que eu quiser. Mas ele não volta, foi embora, graças aos meus complexos malucos.

O momento, o dia, eu perdi. E não tem o que traga isso de volta, nem acordar magra mudaria isso. E ainda tem noites como as de hoje que me trazem essa história de volta. E não é sobre o dia que eu estava gorda, mas sim sobre o dia que eu acreditei nisso e mudei meu destino.


Iara De Dupont 



12 comentários:

Anônimo disse...

Adoro teu blog já comentei algumas vezes aqui e posso te falar? Mesmo não sendo gorda ( não vou falar gordinha pois acho que a palavra gorda não é nenhum insulto ) me identifico com muitas coisas que você escreve. Já me vi nesta mesma situação que você mas a vergonha não foi da aparência ( quer dizer um pouco pois eu não teria como causar boas impressões com a meia duzia de peças da minha irmã no armário ) Já deixei de me encontrar com uma pessoa que eu gostava por questões financeiras por achar que se eu não estivesse usando um perfume grifado, um vestido maria filó ia ser vista como um lixo e perdi uma grande oportunidade já que a pessoa não se importava ( e quando descobri já era tarde demais ).
E também já fiz a valente e fui me encontrar com um amigo que era pobre e suburbano como eu mas virou riquinho ( classe média ) Nesse caso não era nada romântico o que eu queria era rever uma amizade não havia interesse, mas sai mais ferida desse dia do que se tivesse levado um fora de alguém que eu gostasse. Fui normal de calça jeans e camiseta, estava penteada e até mesmo maquiada levemente com base e corretivo normal, cheguei lá me deparei com uma pessoa mudada repleta de preconceitos que me disse que eu não deveria estar daquela maneira vai que eu conhecesse o homem da minha vida no caminho? Porque eu ainda não tinha colocado aparelho? Porque eu ainda não estava ganhando grana como ele? O cara acabou comigo e isso pq era meu amigo. Depois disso nunca mais quis vê-lo. Nesses casos agente não sabe o que é pior a covardia de enfrentar o desconhecido ou a coragem de ir até o conhecido, as vezes quem vai nos magoar é julgar quem menos esperamos.

Jeanne Geyer disse...

Estou fazendo um trabalho de divulgação do meu mais novo blog, portanto hoje estarei te visitando e conhecendo teu espaço. Peço desculpas pelo comentário pronto, não é do meu feitio, faço apenas para facilitar a divulgação. Depois que você conhecer o meu espaço, voltarei para te ler com atenção e fazer comentários individualizados.
O link do blog é: http://eubipolarbuscandoapaz.blogspot.com.br/ te aguardo lá, obrigada pela atenção, um abraço.

Penny Lane disse...

Caramba Iara,que história triste.

Apesar de não acreditar em Deus, eu acredito que as coisas acontecem quando tem que acontecer.Por mais que você tenha perdido a chance de encontrá-lo, de nunca saber se daria certo,você não deve se culpar.

É triste viver na dúvida? é! mas bola para frente! já que voltar ao passado não dá, pelo menos tente diminuir este complexo para o presente e para o futuro.é clichezão o que vou dizer,mas procure se amar mais.Pelas coisas que escreve, você me parece ser uma pessoa incrível,adorável.Quem não te quiser por estas qualidades,é um babaca.E fala sério, qual a vantagem de estar ao lado de um babaca? nenhuma.

Tente não ficar pensando muito neste episódio. o que já foi , já foi.

Fica bem ^^

bjs

http://queeuestejanumaboa.blogspot.com.br/

Bru Garcia disse...

Sinceramente eu tenho certeza que essa história não acabou, depois de tantos encontros e desencontros, ela ainda não acabou, porem tudo acontece no tempo certo, no tempo de Deus.
Não acredito que todos os finais são os famosos "e foram felizes" mas tudo que começa tem um fim e um dia você terá a oportunidade de falar para ele se ele estava certo quando pensou que gostava mais de você do que você dele e do porque vc não foi na estréia da peça .... Ambos merecem essa nova chance.

Michele Alves disse...

Sei como é. Nós sabemos que temos que nos aceitar, nos amar e blá, blá, blá.
Mas não é fácil, não é fácil lidar com o preconceito, nem o externo e principalmente o interno.
Quando nos sentimos bem isso refleto no exterior e o inverso também é verdadeiro.
Quantas vezes nossos medos não nos impedem de viver? Mas vamos aprendendo, tropeçando e levantando novamente.
Boa sorte para todos nós e "o que é do homem o bicho não come"

http://emagrecimentopossivel.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Aqui é a Micaelly de novo, amei seu blog e vou seguir sempre.
Isso acontece comigo, tenho vergonha de encontrar meu antigo amor e que ele me veja gorda. A última vez que o vi, tinha 32 kg a menos.
Mas o certo é que não podemos viver assim, o difícil e se convencer de não viver assim.

Anônimo disse...

Numa situação bem de filme americano, numa reunião de ex-alunos, reencontrei meu antigo namorado 15 anos depois e 25 quilos mais gorda...
Durante o vôo todo, o frio na barriga e o nervoso só aumentavam, pensei em desistir. Ele queria me encontrar assim que eu chegasse e eu só pensava na reação dele ao me ver daquele tamanho!
Claro que fiz a produção mais sexy e casual do mundo! E tudo deu certo naquele momento, os olhos dele brilharam do mesmo modo que 15 anos antes.
Mas as pessoas não mudam ( talvez o peso mude, mas as pessoas continuam as mesmas...) e nossa história foi a mesma de 15 anos antes: muito carinho e pouca atitude!
That's life! And it goes on com alegrias e tristezas!
Beijos enormes e obrigada pelo seu blog!

Carla Susana Guadanini Pereira disse...

Olá Iara!
Também vivi uma história parecida, deixei de ir para Alemanha e viver uma história de amor por causa dos meus pensamentos tolos e decisões idiotas.

GorDivah disse...

Nossa! Passou como um filme na minha cabeça! Já evitei algumas situações no passado distante por causa dos fantasmas que me assombravam. Mas, dps d quase morrer algumas vezes, decidi nunca mais deixar o medo me vencer! É melhor se arriscar e ganhar ao menos mais experiência do que deixar de viver momentos incríveis. Quem sabe vcs ñ se reencontram um dia? Q tal manter contato pelas redes sociais? Nunca se sabe o que pode acontecer né? Torço por uma reviravolta nessa história. ;-)

www.twitter.com/GorDivah
gordivah.blogspot.com

Anônimo disse...

Oiiii, sou Dani, e li alguns textos do blog, me chamou a atenção a falta de formalismo, nunca consegui falar assim, depois de tantas frustrações e tantas sacadinhas diabólicas a respeito do meu corpo, não sou mais a mesma, tenho medo de ser mal interpretada, nesse caso seria a excluída gorga o que me excluiria do pouco convívio social que me respeita. Mas o mundo não me deixa esquecer que eu sou uma gorda, ja perdi vagas de emprego, a confiança, a auto estima por causa de pessoas que não tem ideia do mal que causam a nós gordos, se as coisas fossem fáceis, teríamos alcançado nossos sonhos e expectativas, eu sofro também, e ser gorda hoje pra mim é o meu maior desafio.

Anônimo disse...

Estou sem fôlego com essa história. Hoje mesmo estou me sentindo mal por estar gorda... Mas decidi, ao ler esse relato, que não posso mais ficar parada no tempo e deixando as oportunidades irem embora assim.

Anônimo disse...

Sou homem, sou gordo, na verdade sempre fui. Sempre sofri, e sei que muitas chances e oportunidades deixei por medo. É triste saber que sofremos preconceitos, mas não há nada que nos "ajude". Negros, homossexuais, enfim, todos possuem frente de conscientização. E os gordos? E não somos poucos. A verdade é que somos julgados pela nossa aparência. Eu posso dizer que muitas mulheres não se atraem por gordos, mesmo elas sendo ás vezes gordas. Enfim, é a realidade.

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