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28 setembro 2012

O dia que deixei de existir



Máquina digital: tão rápida que não deixa nem lembranças
Todos os meses, no dia 12, eu escrevo no http://blogdas30pessoas.blogspot.com.br/ .E como o próximo mês,outubro,é o das crianças resolvemos colocar fotos de todos nós tiradas na infância.
Para isso tive que desenterrar alguns baús e procurar. Acabei, como boa virginiana, colocando em ordem umas fotos e descobri que não tenho todo o meu passado.

Desde que nasci minha mãe tirou fotos, tenho até aquela clássica do primeiro banho no hospital.
Todas estão em ordem, até 2002, quando não aparecem mais fotos minhas nos álbuns. Em 2002 apareceu a câmera digital, eu não tinha, mas sempre alguém por perto tinha, então tirava as fotos e mandava ao meu e-mail.

Já troquei de computador pelo menos quatro vezes em dez anos. Tenho muitas fotos em cds, que estão guardados em algum lugar.
Para que minha história pudesse ter um pouco de ordem, precisaria comprar uma impressora, papel de foto e me dedicar a abrir todos os cds e imprimir. Isso tem um custo de dinheiro e tempo, ou seja, essa história de máquina digital finalmente não era tão prática assim.

Muitas coisas eu sei que vivi pelas fotos. Não tem coisa melhor do que sentar na beira da cama e lembrar um pouco. Fiquei triste de ver que não tinha mais fotos minhas há dez anos, como se eu tivesse morrido.
Mas estão no computador! Sim, em algum canto que eu não vejo, que elas não me encontram.

Em 1998 fiz uma festa na minha casa e convidei o garoto que eu estava apaixonada. O mais importante foi comprar o filme da máquina, depois pedi a uma amiga que brincasse de fotógrafa e ficasse tirando fotos dele a noite inteira.
Ela fez isso e dormiu na minha casa. No dia seguinte fomos correndo para revelar, até hoje lembro das nossas caras vendo as fotos. São as últimas que contam minha história, daí pra frente vai depender de um dia ter saco de imprimir todas, colocar data e 
organizar.

Tudo que parece prático no fundo tira o sentido da existência. É tão prático falar no Facebook que não escuto mais a voz dos meus amigos. É tão prático tirar fotos com a máquina digital ou celulares que elas não se penduram mais nos armários nem espelhos, ficam perdidas no espaço.

Também deixei a máquina tradicional pelas promessas de rapidez e economia das digitais, mas pensando na quantidade de arquivos em cds que tenho imagino que vou gastar para imprimir o que não gastei minha vida inteira mandando revelar.

E o envelope na mão? Tudo estava ali, hoje os erros apagamos na hora, como se não tivesse existido.

Foto para mim é um pedaço de papel que conta minha história, os dias bons, os dias ruins. Gosto delas em caixas de papelão rosinha ou álbuns, gosto de ver e lembrar. Milhões de cds nas prateleiras ou pendrive não significam nada, porque nem lembro o que está ali, é como se fosse uma parte tão distante de mim que não significa nada.

Não deveria me surpreender então os últimos dez anos da minha vida, que foram os piores de toda minha existência, tão ruins que nem fotos impressas tenho. Foi uma década perdida, sem nada a dizer.
Tenho lembranças péssimas e fotos que nunca foram impressas. E talvez nunca serão.
Para meus álbuns e caixas de papelão que me acompanham há anos é como se eu tivesse deixado de existir em algum momento de 2002. Pior que eles estão certos.

Iara De Dupont



Um comentário:

Fernanda disse...

Eu decidi selecionar as mais divertidas e marcantes e sempre revelar... no meu caso, a máquina digital não chegou tão cedo em minhas mãos... então na minha adolescência eu ainda usava máquinas com filmes... saía cada foto horrível, pois era sempre uma surpresa na hora de revelar (já que não tinha dessa de saiu feia, gorda, descabelada etc, apaga e tira outra), mas são as mais divertidas... agora na era digital, eu não quis perder o hábito de registrar momentos importantes da minha vida... e também gosto de colocar em álbuns coloridos, com locais de registrar comentários... Tenho centenas de fotos no computador e em pendrives, mas como você disse, nada mais gostoso do que sentar na cama e tirar aquelas fotos do fundo do baú e rir ou chorar... Bjs!!!

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