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29 julho 2012

O dilema de Simony: como proteger sua filha gordinha







Simony e sua filha Aysha

Todas as mulheres da família do meu pai são gordas. Tenho duas primas da mesma idade e sempre tivemos o mesmo tipo físico.

Mas as minhas tias não eram moleza e minhas primas foram desde pequenas submetidas a todo tipo de dieta e castigo para poder emagrecer.
Minha mãe morria de dó, nunca teve coragem de fazer isso comigo, até porque ela sempre foi magra.
Um dia, horrorizada com uma das minhas tias que trancava a minha a filha  no banheiro, para a menina não comer, minha mãe disse um monte para ela. Minha tia foi clara e direta, disse que era melhor a menina ser torturada por ela do que pelo mundo, sempre é melhor apanhar da própria mãe que de todos.

Sempre achei minhas tias umas bruxas malucas. Mas a realidade é que minhas primas conseguiram entrar na adolescência com um peso normal e depois entraram assim na vida adulta.

Já eu, que não foi torturada pela minha mãe, nem trancada no banheiro, nem apanhei por comer um brigadeiro, entrei na adolescência e vida adulta gorda.
Não sei se minhas tias tinham razão. Minhas primas sofreram horrores nas mãos das mães, mas eu sofri nas mãos do mundo. Desde o primeiro dia de aula em um pré, até o último de dia de faculdade sofri bullying.
E vale a pena?Não seria melhor sentir  apenas ódio da minha mãe que do mundo inteiro?

Hoje eu estava lendo sobre a filha da cantora Simony, uma menina que é uma graça, mas eu não gosto de ver ela, porque é muito parecida a mim quando criança e fico imaginando o quanto ela deve sofrer.

Em uma entrevista Simony mostrou sua revolta, porque a filha não é chamada para desfiles nem tem contratos com lojas de roupas infantis. E desde que a menina entrou em uma novela, Carrossel, sempre que entrevistam Simony querem saber como ela lida com o obesidade da filha.
A menina faz uma novela de sucesso e todas as meninas que trabalham ali estão sendo disputadas a tapa para comercias e eventos. Lógico que Aysha também é chamada, mas não como as coleguinhas magras.
Simony pergunta ao repórter se crianças gordinhas não compram roupas e por que a filha dela é ignorada?
Essa eu sei responder, porque é o mundo é assim. Uma pena que a menina assista tudo isso, deve ser deprimente trabalhar com crianças que são mais solicitadas, ninguém deveria passar por isso.
Mas o que Simony deve fazer? Como proteger a menina de tudo isso? Obrigar ela a fazer dieta, como as loucas das minhas tias, proibir a menina de comer, vigiar e torturar? Ou deixar a menina livre, para que comece a entender como é o mundo, como as pessoas são cruéis?

Acho um dilema terrível para uma mãe. O que ela pode fazer? Será que é melhor levar a menina a um nutricionista e tentar fazer ela emagrecer ou ensinar a menina a se defender dos ataques que vai receber a vida inteira?

Não critico minha mãe porque também sou de coração mole, nunca conseguiria bater em uma criança e obrigar ela a comer salada, acho isso cruel demais.

Mas sofrimento deve ser considerado e os pais devem pesar os dois lados da questão. Deixar a menina livre para ser gordinha não quer dizer que o mundo vá tratar ela bem.

Talvez uma dieta possa doer muito, mas não vai doer mais do que ser agredida todos os dias de sua vida.
No dia da minha formatura da faculdade um colega , que não era íntimo, me parabenizou e disse ''Você é bem legal, apesar de gordinha''.
Na mesma hora lembrei das minhas tias. Já tinham se passado vinte anos e com certeza minhas primas nunca escutaram coisas assim, porque desde a infância conseguiram ficar magras.

Fiquei com pena da Simony, é um dilema terrível, apoiar a filha e respeitar seu tipo físico, ou adequar a menina para que sofra menos.

Tem horas que acho que ela deveria ajudar a menina a aceitar seu físico e tem horas que eu acho que ela deveria ajudar a menina a emagrecer. Mas também é um massacre para a mãe que é constantemente questionada, já vi repórter perguntando a Simony se ela cuida da alimentação da filha, como se isso fosse problema da repórter ou se todo o filho gordinho fosse culpa da mãe, e não é, crianças podem ser gordinhas por milhões de motivos.
Eu lembro do mundo que  conheci e minhas primas não. É triste dizer, mas o que conheci não vale a pena o sofrimento, não sei se conseguiria ver minha filha caminhando em cima das pedras quentes como caminhei minha vida inteira. No mundo de hoje existe apenas uma certeza, crianças gordas serão torturadas sempre. E as mães sofrem por isso.

Iara De Dupont


4 comentários:

Silvana disse...

Boa noite!Sempre leio seu blog, concordo com vc na maioria das vezes, porém tem as exceções (kkkk); Eu passei a ter um problema com meu peso depois do nascimento do meu filho, sofri muito no começo, depois percebi q existia duas saídas ou ser feliz e me aceitar gorda ou morrer tentando emagrecer. Escolhi ser feliz e sou; com o meu sobrepeso, com minhas gorduras localizadas, celulites e td mais. Não tenho tempo e nem paciência pra saber se o mundo me acha gorda ou não, quero viver e ser feliz. Acho q a Simony deveria ensinar para sua filha q a felicidade consiste em se aceitar do jeitinho q somos.
Eu sou feliz e sou gorda e daí, isso não muda nada no mundo de ninguém mas o meu mundo muda e para melhor, eu consigo viver e ser feliz é o q interessa.
Parabéns pelo blog e espero q eu consiga te ajudar um pouquinho a se aceitar do jeitinho q vc é.
Beijos!
Silvana

Carolina disse...

Iara,
me comovi com o seu texto, pq me vi nele. Fui uma criança gordinha e como vc sei o quanto é sofrido. Desde de muito pequena fui levada a médicos e fazia dietas. Não adiantou. Os comentários da minha mãe me machucavam muito, do meu pai tb. Ela não era uma bruxa como as suas tias, mas como a minha irmã sempre foi magra como a minha mãe e eu não conseguia nem chegar perto do biotipo delas, sofria muito com as constantes alfinetadas.
Mas qd estava com uns 11 anos, decidi emagrecer. Não fiquei magrela, mas passei a adolescência toda com us 4, 5 kg acima do peso ideal (o que na época, pra mim, era uma tragédia!).
Com 19 anos decidi emagrecer ainda mais e aí sim fiz sucesso! rs... Passei 10 anos assim, com um corpão. Mas não comia. Fiquei 5 anos sem comer arroz, sem comer feijão. Chocolate só existia na Páscoa, biscoito recheado eu nem sabia mais que existia. Aliás, tudo que é gostoso e sabemos que devemos comer com moderação passou a fazer parte de um universo paralelo que eu não frequentava.
Era popular na faculdade, namorava quem eu queria, mas lá no fundo eu não era feliz. Meio brega falar isso, mas é a verdade. rs... Foi então que num Reveillón, pedi muito a Deus que me ajudasse. Estava na praia, com meu então namorado e um pessoal descolado, fogos e mais fogos de artifício e tudo que eu pedia era que Deus me ajudasse, pq eu tinha me tornado uma pessoa de quem eu não gostava. Era linda por fora, mas por dentro achava que estava andando com pessoas cada vez mais fúteis, dando cada vez menos importância para o que realmente vale a pena e não queria mais aquilo para a minha vida. Pedi muito para que Deus trouxesse para a minha vida alguém que me amasse muito e que eu amasse tb.
Coincidentemente, o ano que entrou trouxe acontecimentos que mudaram radicalmente a minha vida. O meu pedido se realizou. Fiquei sem chão, pq as perdas foram muitas, mas me afastei de certas pessoas, terminei um relacionamento e pude conhecer de novo o que realmente importa nessa vida. Não foi fácil, entrei em depressão, engordei. Mas conheci um homem maravilhoso, como vc disse em outro post, um verdadeiro Elano! rs... O namorado mais lindo que já tive, loiro, alto, de olhos azuis! Depois de quase 2 anos de namoro nos casamos. Eu amo a minha vida, Iara e hoje, graças a Deus, sou muito feliz! Não estou fazendo apologia à gordura. Quero ficar mais magra, mesmo por uma questão de saúde, mas não trocaria de jeito nenhum a vida que tenho hoje pela vida que tinha qd era magra.
Se eu fosse a Simony, ensinaria à minha filha a se amar e a se respeitar. Se amar passa tb por ter uma alimentação saudável mas pra mim é, essencialmente, gostar de nós mesmas independentemente da aparência. Acho as mulheres muito cruéis umas com as outras. Nem os homens, para quem supostamente queremos ficar sempre bonitas, são tão rígidos conosco do que nós mesmas.
E é uma pena, pq no meio de todas essas exigências, meninas lindas como a Aysha podem passar a pensar que a aparência determina tudo, até mesmo o valor das pessoas. Eu pensei assim por muito tempo. É difícil não pensar qd vemos em quase todo lugar que para ser bonita necessariamente é preciso ser magra. No entanto, foi só qd descobri que beleza e contentamento com a vida nada tem a ver com peso, é que descobri a felicidade.
Desculpa pelo comentário enorme!
Beijos,
Carol

Carolina disse...

P.S.: Que bom que vc terminou a faculdade, pq ninguém merece conviver com gente tão ignorante quanto o seu colega! Beijos

Carolina disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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