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10 junho 2012

Parada gay: festa tem, direitos não



Pode pular à vontade, mas continua sem direitos

Quem pode duvidar da grandeza do carnaval no Brasil? Ninguém. Somos conhecidos mundialmente por essa festa incrível, exemplo de criatividade e expressão artística.
Mas sejamos francos, é possível que as coisas mudem no carnaval? No meio da música, do desfile, da zorra, podemos conquistar algum direito?

Pelo menos até agora não existe nenhuma grande mudança registrada apenas na farra, na festa , todas as grandes mudanças na sociedade exigiram mais do que sair a rua e fazer uma festa 

A Parada Gay que acontece todos os anos em São Paulo é uma festa, um dia onde as pessoas usam fantasias e saem as ruas para pular. Podia ser parada gay, parada disso ou daquilo, não faz a menor diferença.
Simplesmente porque os brasileiros não entenderam ainda que festa é uma coisa, direito é outra.

Mas a gente gosta de festa e gosta de mentir. Passa a imagem para o mundo da maior parada gay do planeta, o Brasil  um país amigo dos gays. As pessoas acreditam nisso e apoiam um evento que traz milhões de reais a cidade, a prefeitura, restaurantes e hotéis. Mas o que os gays ganham com isso? Nada. Continuam sem seus direitos, vivendo em uma cidade homofóbica, conservadora e ignorante e pouco se diz disso, mas o Brasil é um dos campeões de crimes contra os gays, é um dos lugares onde mais se matam gays no planeta.
Essa parada teria motivo de  existir  caso os gays fossem respeitados, então teríamos muito que comemorar e mostrar ao mundo como somos um exemplo nos direitos humanos.

E o que se comemora nessa parada? Os números mostram que o Brasil bate recorde de violência com os gays e tem leis arcaicas que atrasam a punição a quem agride um gay.

Os gays estão em número suficiente e tem poder econômico para pressionar e mudar as leis não devem ficar a mercê dos grupos religiosos extremistas, tão conhecidos no Congresso.

Onde está a parte política? Não vi nenhuma. Já fui a cinco paradas gays e apenas em uma alguém me pediu uma assinatura para um projeto que prevê a criminalização da homofobia. Uma vez teve um discurso, mas rápido, já que todos pareciam mais ansiosos em dançar, vi gente pulando e comemorando um dia de liberdade, como se isso fosse suficiente.

Lembrei de uma história da vizinha da minha tia. No dia do carnaval a empregada da vizinha deu a minha tia sua fantasia e pediu que ela desfilasse na escola, já que a empregada não poderia ir porque a patroa estava irritada e não tinha deixado ela ir ao desfile.

O carnaval é assim ainda, movido pela classe C que depende da A. A patroa se viu no direito de não deixar a empregada ir, depois de ver ela um ano costurando sua fantasia.

A parada gay obedece uma lógica parecida, é como se fosse dito aos gays ''Bom, saiam as ruas, brinquem, façam festa, mas amanhã vocês voltam ao mesmo lugar de sempre, serão discriminados e agredidos, mas hoje podem pular à vontade''.
Não se constrói um país com minorias que tem apenas um dia para se expressar. E essa parada deveria ser feita em frente ao Congresso Nacional, até que as leis sejam mudadas e os gays tenham seus direitos reconhecidos.

Um país que permite que a classe C pule carnaval, desde que deixe a janta da patroa pronta, que permite que os gays se beijem na rua apenas unas horas por ano, é um país na era medieval, guiado por um patriarcado demente.

Deveres todos temos o ano inteiro, mas e os direitos? São tão poucos assim, apenas um dia para se expressar? E o resto do ano? Bom, o resto do ano pertence aos brancos, ricos e héteros, e eles não gostam de ser incomodados, mas agradecem a parada gay por encher seus cofres .

Já passou da hora de perceber que pulando e comemorando não se muda a sociedade, para que isto aconteça é necessário lutar pelos seus direitos e infelizmente os direitos não caem do céu, como chuva de purpurina. Contra um patriarcado que massacra a todos paradas uma vez por ano não resolvem nada, a luta tem que ser todos os dias e sem esse ar de ''tudo já foi resolvido'', porque a luta nem começou.

Iara De Dupont



Um comentário:

Anônimo disse...
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