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25 junho 2012

A estréia de Fátima Bernardes ( mais branquice impossível)




Fátima Bernardes: apologia a classe média branca

Não faço apologia ao sofrimento,pelo contrário,de vez em quando acredito que estamos aqui para aproveitar a vida , conhecer coisas boas e ser feliz.
Mas acredito que o sofrimento não pode ser em vão , ou seja, alguma coisa tem que servir.
Se eu não tivesse lutado durante anos contra uma síndrome do pânico eu não sei se teria a visão que tenho hoje da vida.Se a balança não tivesse sido (ainda é ) um calvário talvez minha visão da vida seria diferente.
Mas ter sofrido tanto em duas questões me levou a entender o sofrimento de muitas pessoas e a ter uma perspectiva maior das coisas.
Infelizmente peguei uma mania em relação a isso,não gosto de pessoas que falam de assuntos que não conhecem,mas quando conhecem eu pelo menos escuto.

Hoje estreou o programa da Fátima Bernardes.A Globo quer transformar ela em uma Oprah Winfrey,esse é o objetivo.
A vida da Oprah deu moral a ela de falar o que quiser,de quem ela quiser.Negra, pobre, abandonada pelos pais, cresceu com a avó,apanhou,foi estuprada pelos primos e dizem que aos quatorze anos ficou grávida e foi obrigada a doar a criança.Lidou a vida inteira com o racismo,o excesso de peso e chegou a uma patamar inacreditável,sendo hoje uma das mulheres mais poderosas do mundo.
De tanto apanhar na vida ela aprendeu a se comunicar com todo o tipo de pessoas,parece ter uma compaixão natural pelo sofrimento dos outros.E quem não se sentiria a vontade com ela,já que ela conhece os dois lados da moeda ?

Acho melhor a Globo pensar que a Fátima está bem sendo a Fátima, não tem como transformar ela em uma Oprah.
Fátima é de classe média  branca,não tem registros ou pelo nunca disse nada em relação a algum episódio trágico de sua vida.Se formou,conseguiu um emprego na Globo,sonho de muitos, casou com um apresentador, teve filhos,ficou milionária.Uma vida linear, por tanto, pouco a dizer.
Simpática ela é,também é bom exemplo,mas fora disso não parece acrescentar nada de novo.Eu gosto dela,me dá impressão de uma pessoa séria,correta,mas por isso mesmo me dá sono,porque parece previsível,sem nada muito interessante para dizer.

Até porque o ser humano não se faz em dias de sol,é na chuva, nas sombras que aprendemos a sobreviver e a mudar  as situações.
Se eu tivesse tido uma vida linear,sem sofrimento, eu seria hoje a mesma pessoa? Não.
O sofrimento não preenche ninguém,nem faz a pessoa melhor, nem dá conteúdo,mas traz uma visão diferente sim , uma ligação natural com outros seres humanos.Tem gente que sabe aplicar esse conhecimento,tem outros que não,o sofrimento não ensina ninguém a falar com o outro,mas para pessoas como Oprah que tem esse talento,o sofrimento só acrescentou.
Já Fátima é a cara da classe média alta,tentando se comunicar com a classe C .É artificial, armada,engessada,tanto que a primeira preocupação em relação ao programa foi perder cinco kilos  antes da estréia,como se isso fosse a coisa mais importante.
Ela tem o verniz,o esmalte  da classe média que virou classe alta.Não me comove,não me faz perder o tempo assistindo,nem me interessa.
Me pergunto sinceramente,precisamos de outra apresentadora branca e cheia de boas intenções?Ainda não estamos saturados dessa  classe média branca dominando os programas, como se o Brasil fosse um país de brancos de classe média ?

Não tenho nada contra quem tem uma vida linear,quase perfeita,mas não me espelho neles.Gosto de pessoas improváveis,que saíram do nada e chegaram no tudo essas eu admiro, me espelho.Pessoas que escutaram não e fizeram dele um sim, essas eu escuto.
Agora a bonitinha,fofinha,meiguinha,arrumadinha,que faz questão de mostrar uma vida perfeita me dá sono.
Oprah se construiu  mostrando seus erros,seu lado humano.Fátima se constrói na cor,no cenário,na artificialidade e nos comentários previsíveis, é um personagem higiênico,genuíno produto da classe a qual pertence, mais branca impossível.


Iara De Dupont (Sindrominha)



4 comentários:

Luciana disse...

Foi impossível não lembrar de meu marido qdo vc falou " Gosto de pessoas improváveis, que saíram do nada e chegaram no tudo, essas eu admiro, me espelho" Ele diz isto sempre. Sempre busca saber a origem dos atletas, das pessoas q se destacam.

Gostei mto de seu texto Iara.Nem vi do q se trata o programa, mas Fátima Bernardes é exatamente como vc detalhou. Não me interessa. bj.

Carolina disse...

Oi, Iara, tudo bem?
Gostei do texto, mas não concordo. Entendo o seu ponto de vista, mas não acho que é preciso ter sofrido para entender a dor do outro. É preciso ser solidário, ter compaixão e essas duas características não surgem, necessariamente, da dor. Já conheci pessoas muito sofridas que não me acrescentaram nada, a não ser o conhecimento do que é uma pessoa amarga diante da vida e outras, que não enfrentaram tantas dificuldades, que me ensinaram muito.
Acho que a Oprah é sim um referencial e tanto, mas não acho que ela seja esse referencial pq já sofreu muito, acho que ela é esse ícone apesar de já ter sofrido tanto. Não foi o sofrimento e nem as experiências ruins que a fizeram um referencial e sim o talento, talento esse que ela teria mesmo se não tivesse sofrido.
Acho sim que a Oprah pode ter compaixão pelo sofrimento alheio, mas não podemos esquecer dos milhões de dólares que essa compaixão e consequente ajuda já lhe renderam. Se não aumentasse a conta bancária, será que essa compaixão seria tão grande?
Li uma entrevista com a Fátima em que ela dizia ter pavor de avião, desde que os seus filhos nasceram. Ela contou que tem uma mania enorme de organização e qd alguma coisa pode fugir ao controle, como em uma viagem aérea, ela entra em pânico. Realmente a imagem que ela passa é de ter uma vida perfeita, não precisava mostrar esse lado inseguro, de mãe controladora em uma entrevista, mas mostrou.
Não acho que a maternidade seja requisito na vida de nenhuma mulher, mas acho que alguns sentimentos realmente surgem qd se é mãe. Se passar por certas experiências dá a oportunidade para uma pessoa entender melhor as outras, teria o Oprah mais tendência a ter compaixão pelas pessoas que tiveram vivências semelhantes as dela e a Fátima mais tendência a entender as angústias das mães da classe média? Não sei. Só sei que ser mãe (ainda não sou, mas vejo as que são), esposa, profissional, de classe média tb pode ser extramente angustiante.
Assim como a Oprah, estou passando por um momento de luta contra a balança. Já vi a Oprah gorda, muito gorda, magra, magrinha, cheinha. Hoje, qd a vejo, tenho aquele sentimento de cumplicidade, de estar na mesma luta. Mas se for escolher alguém para me espelhar, escolheria a Fátima. Acho que seria mais politicamente correta se escolha a Oprah, mas não estaria sendo sincera. Entre viver a vida toda lutando contra a balança e poder chegar aos 50 anos emagrecendo e tendo um peso estável durante a vida, ficaria com a segunda opção sem duvidar. Não sou daquelas que acham impossível que uma pessoa seja feliz gorda, mas tb não posso negar que estar acima do peso me incomoda muito. Por isso, se a Fátima achou por bem emagrecer, fazer chapinha, entrar com um vestido arrasante e aspecto arrumadinho no programa, acho que fez bem. Nada contra quem não tem o estilo dela, mas nada contra tb a quem tem.
Beijos, parabéns pelos textos!
Carol

RODRIGO CALDEIRA disse...

Eu gostei do seu post, justo e na medida certa. Também dou um pouco de razão para a Carol. Como não sei bem sobre a Fátima eu me calo e escuto, porém minha opinião também existe e tudo o que é maquiado e artificial eu detesto, mas por enquanto estou em fase de reconstrução, me metendo numa outra situação na qual nem esperava, mas deixando acontecer pra ver no que que dá, e por isso vou parando por aqui e dizer que nem sabia que a Fátima estava com programa próprio... como se chama este? Estrelas 2?
Beijos, Rodrigo Caldeira
blogdorodrigocaldeira

Anônimo disse...

Infelizmente o Brasil provavelmente nunca tera uma Oprah,pouquissimas pessoas tem o seu senso critico,todas as classes gostam dessa "branquice",pra voce ter ideia do nivel do absurdo (ta voce tem,rsrs) um conhecido meu que trabalha em uma emissora de tv disse que quando aparecem pessoas loiras (seja quem for) o ibope sobe na hora,ridiculo isso em um país mestico,por isso que 98% das apresentadoras sao loiras e quem nao é comeca a fazer luzes em cima de luzes ate disfarcar bem sua morenice.A questao é,sera que isso nunca vai mudar?


Anna Lara

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