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25 abril 2012

O morador de rua e seu cãozinho





Uma das cenas que mais me chocou na vida aconteceu quando eu fazia uma peça de teatro no centro da cidade de São Paulo, em uma região cheia de moradores de rua. Um dia desses de agosto, gelado, tinha um senhor dormindo embaixo da sua carroça com seu cachorro. Uma pessoa passou e deixou água e comida para o animal. Fiquei absolutamente muda, horrorizada. Sempre defendi os animais, sempre disse que acredito mais neles do que em toda a humanidade, mas nem por isso os seres humanos são invisíveis.


Nunca entendi o que aconteceu ali naquela hora. Se a pessoa pensou que o animal podia estar passando fome, frio ou sede, poderia também ter pensado que a pessoa dormindo no chão estaria nas mesmas condições.


Comentei isso com alguns atores e eles foram enfáticos em dizer que muitos carroceiros judiam dos animais, por isso as pessoas só ajudam os cachorrinhos e ignoram os donos.


Mesmo com essa explicação, coisa que é verdade, eu mesma discuti semanas atrás com um morador por estar batendo no seu cachorro, mesmo assim, não entendo como alguém pode sentir compaixão pela fome de um animal e ignorar o ser humano ao lado que também passa fome.


Onde moro tem um túnel cheio de moradores e seus 

cachorros. Virou uma cena normal, sempre que passo por lá alguém esta levando comida aos animais e deixando água, tratando os moradores como invisíveis. Tem até uma mulher grávida e ninguém leva nada para ela.

Sei que os seres humanos se viram melhor. Em alguns casos podem ir a abrigos, já os animais tem os piores destinos possíveis. Entendo a necessidade urgente de cuidar de um animalzinho e sou obrigada a dizer que os animais me comovem mais do que uma pessoa. Sei que qualquer pessoa pode abandonar seu animal, mas nunca será abandonado por ele.


Ainda assim eu não consigo ver como a fome não é igual. Quem leva ração a um animal precisa gastar, é cara, não custa nada então levar alguma fruta ou uma marmita a quem dorme ao lado do animal.


O amor ao ser vivo deveria ser o mesmo. Sei que os animais são mais frágeis diante da loucura humana, é justo não querer ajudar uma pessoa que não conhecemos e nos compadecer apenas do animalzinho. Mas é normal ver uma pessoa dormindo na rua, ao frio  e não se compadecer da sorte dela? É tão difícil de entender que a fome devora os dois e nenhum ser vivo deveria morar na rua?


Existem milhões de histórias de moradores de rua que judiaram e mataram seus animais. Mas também existem milhões de histórias de parcerias que deram certo, o animal que protege seu dono e é cuidado por ele. Muitos moradores de rua dependem do seu animal para se sentirem cuidados e vigiados, diante dos perigos da noite. Tem gente que não tem família e trata seu animal como o único ser vivo que o entende. Tem moradores de rua que se recusam a ir a abrigos porque eles não aceitam os animais. Bom, os poucos abrigos, já que o prefeito de São Paulo vem fechando  todos os abrigos da cidade.


Se alguém está disposto a ajudar um animal e levar um pouco de comida, deveria estar disposto a levar alguma coisa ao dono também. Os dois dormem na rua, comem na rua e foram abandonados por todos. Ajudar apenas o animal deixa a sensação no morador dele ser mais invisível do que já é. E que benefício traz isso para a sociedade?


Ajudar é um verbo e não deveria estar ligado apenas a uma causa. É bom levar  comida ao animalzinho, mas é melhor ainda perceber que o animal não está sozinho e ficará feliz se o dono estiver feliz. Barriga cheia não pode ser privilégio apenas de um. É um direito de todos os seres vivos.


Iara De Dupont

2 comentários:

Mariana MT disse...

E você? Levou ração para os cachorros ou comida para os humanos?

Iara disse...

Sim ! É justamente por levar comida que conheço de perto a problemática mencionada no post .Se eu não levasse comida ao cachorrinho e seu dono, não teria idéia de como as pessoas podem se aproximar de um ignorando o outro.

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