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29 fevereiro 2012

Honrar os pais não significa ser escravo deles..









Uma sociedade como a latina é cheia de tabus e portas fechadas. Herança da mistura explosiva de religião católica com ignorância. Família para os latinos é coisa séria.

Os americanos com bases protestantes colocam os filhos para fora de casa aos 18 anos, mandam direto para a faculdade. Os europeus também não dão moleza nem os orientais.


Já os latinos começam devagar a construir teias de aranhas, onde incluem os filhos. Parece normal o filho de 20 anos estudar e morar com os pais, quando não é assim vemos como uma coisa anti-natural. Normal mesmo é a mãe fazer o almoço do filho, ajudar no café da manhã e às vezes até levar para a faculdade.

Economicamente isso compensa. Fora isso o filho fica irresponsável e se acostuma a ter o que quer, usar o carro da família sem pagar nem a gasolina. Emocionalmente não aparece ali, na hora, mas o preço depois é um dos mais altos que existem.


Conversando com uma amiga reparamos nisso, pessoas da nossa geração, amigos e amigas, que foram rápidos e se afastaram dos pais a tempo conseguiram equilibrar sua vida. Já outras, muito ligadas a família foram ficando apegadas demais, até que a vida dos pais se misturou com a deles e perderam seu espaço. Os pais começam a ficar velhinhos e viram crianças, os filhos mais ligados a eles começam a cuidar, deixando de lado a própria vida e se envolvendo nos problemas deles.


Acho fundamental honrar os pais, mas nem por isso entregar a vida a eles, porque eles consomem o que recebem, como se fossem bebês. De repente os grandes problemas deles, como avós , dívidas, saúde, tudo cai emocionalmente e economicamente nas mãos dos filhos que apenas estão construindo sua vida.

Não é questão de largar os pais, mas entender que não se pode construir uma identidade própria enquanto se cuida de outro.


Tenho duas primas que são exemplo disso. Uma delas, independente, logo saiu de casa, cansada da rigidez na qual vivia. Viajou, casou, separou, ganhou dinheiro, fez sua vida, vive do seu jeito. Tem fama de péssima filha, mas os pais não precisam dela economicamente e a única responsabilidade dela é com a própria vida, coisa ofensiva na cultura latina.


Outra prima ficou na barra da saia dos pais, que de repente começaram a passar por problemas. Ela em vez de sair, casou e resolveu morar com o marido na casa dos pais. Os problemas e tragédias que afetavam os pais começaram a afetar ela. A teia foi sendo construída de uma maneira gradual. Quando ela quis sair, era tarde demais. Mudou de estado, mas os pais foram atrás, já que dizem que ela não pode viver sem eles, sempre foi incompetente para administrar a própria existência. Faça o que fizer, tem que prestar contas morais aos pais e se responsabilizar emocionalmente por eles.


Ninguém é responsável emocionalmente por ninguém, nem pelos pais. Está na Bíblia que temos que honrar os pais e cuidar, mas ninguém é obrigado a renunciar a própria vida para cuidar deles e de problemas que eles não resolveram. Velhice não chega em vinte e quatro horas, todos temos décadas para pensar como vamos resolver nossa vida lá na frente sem depender de ninguém.


Quem não sai a tempo dessa teia de aranha, nem sempre tem a oportunidade de fazer isso depois. O tempo joga contra, envelhece a todos e fragiliza a saúde dos pais. O filho começa a ficar preso, como se fosse uma areia movediça, sem poder avançar nas suas coisas.


Um amigo também demorou em se mexer. Agora não dá mais, já está consumido pelos problemas dos pais, da avó que mora com eles. Já é responsável por três pessoas, mesmo sem ter sua família. Os pais estão bem, mas dependem da opinião dele para tudo, os pais brigam com a avó e dependem dele para mediar a situação.


Como se pode ajudar, se a vida acaba consumida pelos outros? E quantos pais que hoje sugam os filhos não largaram os próprios pais para conhecer a vida?

Que fácil parece isso! Fazer o que quiser da vida, aprontar, e depois jogar todas as responsabilidades em cima dos filhos, eles que se virem para dar conta do recado.


Parece um texto em contra dos pais, mas não é, é um texto a favor da liberdade dos filhos e do entendimento que eles não são nossa responsabilidade, eles são adultos e tiveram suas escolhas.

Honrar os pais não é colocar a vida a serviço deles, não é se envolver em problemas deles nem resolver coisas que eles não foram adultos para resolver. Honrar os pais é ser uma adulto livre e responsável, que ama os pais e cuida deles, mas tem sua vida própia, a lei do universo, onde todos crescem e vão embora. É a lei da vida. Criar teias de aranha para segurar faz mal a todos.

Iara De Dupont

2 comentários:

Veronika disse...

Polêmico, porém muito sincero. E me fez pensar muito. Talvez precise rever atitudes minhas. É difícil não confundir amor com dependência e com culpa. Ambas as coisas se entrelaçam no amor, formando a tal intrincada teia...

Anônimo disse...

Caramba, colocou o dedo na ferida! Sou homem, tenho 25 anos e ainda moro com minha família (infelizmente). Eu adoro eles todos de coração, mas eu não pude seguir meu caminho como desejava.
Comecei a trabalhar aos 16 anos, e desde o primeiro pagamento, fui obrigado a dar o meu ordenado aos meus pais, onde na minha adolescência os indaguei e tive uma resposta brilhante: "você deve pagar, suas fraldas, roupa, comida e colégio quando foi particular" como um ressarcimento ao direito de um filho.
Todo mês de trabalho, todos anos e não juntei um mísero centavo.
Agora que estou desempregado e meu benefício acabou, me encheram o saco novamente, falando que eu não queria nada da vida, que não me movimento.
Oras, se fico em casa, nunca fui de balada, sempre paguei boa parte das contas e algumas vezes de mercado, lavo roupa, varro a casa e o escambau, busco minha mãe e irmã do serviço quase todos os dias, eu não me mexo? Lógico, vivo trabalhando pra eles.
Cansei, estou tendo picos de pressão alta (stress?) Estou voluntariamente dormindo na sala, pois às vezes me sinto um hóspede, um estorvo, incômodo, mais um dessa casa.
Já rasguei meus planos de antes, agora assim que me estabilizar em outro serviço, vou fazer uma surpresinha e sumir, mudando de residência de supetão, nao dando tempo pra reações idiotas, sei que posso quebrar a cara, mas tenho de tentar um fato novo.

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