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18 janeiro 2012

Seres flutuantes e a última raiz




Para me explicar porque não encontrou namorado ainda uma amiga usou uma definição brilhante, ela me disse:
- Sabe Iara, eu ainda tenho raiz, sei lá porque, mas  tenho e neste mundo todos se transformaram em seres flutuantes, todos flutuam, sem raiz, sem apego, sem terra, jogados ao vento.

Nunca escutei uma coisa tão interessante sobre relacionamentos. Também me sinto assim. Carregando uma raiz em um mundo onde cortar ela significa sobreviver. E ainda por cima temos o espaço a nossa disposição, somos seres virtuais, flutuando na imensidão das redes sociais, onde não existimos, somos umas sombras que passam por ali com um nome, às vezes um pouco de essência,mas nenhuma materialidade.

Em que momento isso aconteceu? Não sei. Eu também já fui um ser imutável e de terra. Não acreditava poder mudar. Mas flutuando, perdida, tive que me adaptar. De quem fui guardo apenas as fotos e duas certezas, o respeito aos  animais e o amor ao chocolate. O resto se dissolveu no espaço, sem gravidade, se separou de mim.

Sinto falta? Não sei, parece que foi há séculos. Perdi a noção de tempo, de espaço, de infinito. Tudo se move ao redor de mim e para tentar viver vou junto.
Sou flexível em idéias, tempos e cores. Antes amigos pareciam mais amigos, hoje acompanho coisas importantes via Facebook, para não dizer que não sei o que acontece na vida deles.

Tem vantagens, o espaço não é um bom lugar para ataques de cólera, a voz se perde. Sendo assim as emoções mais fortes são dissolvidas como açúcar no café.

E quem tem um xodó? Como se tem um xodó no espaço? Pela simples energia de estar ali, os segundos que para nós podem ser anos, que ligam uma pessoa a outra. Antes o para sempre era definitivo, hoje é garantia de alguns minutos. Amor eterno não funciona no espaço, melhor momentos frágeis que são bons e passam logo. Não temos braços para manter a pessoa junto a nós, nem pernas para correr atrás delas. Somos como essas plantas do mar, que flutuam, sem se apegar a nada. Conhecem o mar, vão longe, mas vão sozinhas.

A minha dor não vem do mar, nem do espaço. Vem da minha raiz, como se fosse a raiz de um dente que ainda dói, a raiz que me puxa para os piores pensamentos, a solidão, que me faz perguntar se não existe ninguém no mundo como eu. O que resta da minha raiz perturba o dia inteiro, me faz perguntas e exige respostas. O resto de mim navega e acredita nas coisas sem sentido, nas frases soltas no twitter, na rapidez do mundo virtual.
As coisas vão rápido demais em um mundo de seres flutuantes .As coisas mudaram rápido demais. Mudaram. Hoje quem não flutua não existe.

Iara De Dupont

3 comentários:

Veronika disse...

Eu sou raiz! E tb "encalhada". O.o
E, juro pra ti, ser flutuante e virtual não me preenche... só me esvazia!

Poeta da Colina disse...

É raro que queira manter um vínculo, quem ainda acredite na alma, a própria mesmo. E aí quem insiste, vive de raridades.

Anônimo disse...

"A falta de caráter vem da falta de futuro." - José Chasin

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