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25 janeiro 2012

Conversa de machista




Em muitas coisas é melhor ser ignorante, mas em outras o conhecimento liberta. Desde criança me diziam que eu era impossível, rebelde, cabeça quente e com mania de responder tudo. Eu era o caos, a tormenta que chega.

Durante muitos anos acreditei nisso, de tanto que me diziam, acabei acreditando. Se hoje sei que não sou isso foi graças ao feminismo ou o conhecimento dos meus direitos. Cresci como muitas em um ambiente hostil e machista e mesmo sem ter ideia de nada, eu sentia alguma coisa errada e reagia. Assim era condenada pelos homens da família por ser cascuda e pelas mulheres por ser rebelde.

Mas aos poucos e conhecendo mais sobre o machismo invisível percebi que meu temperamento não era esse que me diziam. A única desvantagem de ter o conhecimento do assunto é que hoje consigo detectar situações, nas quais antes apenas reagia, sem perceber bem o que estava acontecendo.

Conversando com um colega de faculdade percebi o quanto o conhecimento liberta. Estávamos falando sobre as praias no Brasil. Comentei do Dr.Bactéria analisou muitas praias e chegou a conclusão que a maioria não está em boas condições. Na hora esse colega me perguntou se eu acreditava no Dr.Bactéria. Disse que sim. Depois ele me perguntou como era possível que eu tivesse uma ideia formada das praias se não conhecia elas. Eu falei que não tinha ideia, apenas tinha lido o texto e acreditava sim que o Dr. Bactéria tinha razão. Ele emendou logo, dizendo que era típico das mulheres ser parte de uma legião de seguidores do Dr., já que as mulheres são cri-cri em tudo.

Antes, a discussão teria terminado da pior maneira possível. Eu ia me sentir agredida e reagir, mas hoje sabendo que é uma maneira de rebaixar a mulher, não me altero, não dou bola, percebo a agressão na hora, já passei por isso antes com homens da minha família e namorados. Ideias deles são perfeitas, já comentários meus merecem ser ridicularizados.

Ele ficou um bom tempo dizendo que eu deveria saber pelo menos argumentar e não ser tão besta a ponto de acreditar em tudo que leio. Também acrescentou que eu deveria pelo menos usar a lógica e pensar que praias estão em áreas urbanas, por tanto estão contaminadas. Ah, entendi.

Tudo argumento furado, usado apenas para provar que sou a mulher bobinha e besta e ele o homem que sabe tudo e ainda tem paciência de me explicar.
Homens que agem assim mostram o quanto são cheios de complexos e se sentem inferiores as mulheres. Essa é uma grande tragédia do machismo, as pessoas acreditam que o machismo fere apenas as mulheres, mas atrasa a vida dos homens também. Preocupados em diminuir uma mulher em uma conversa perdem a oportunidade de escutar coisas interessantes e de terem uma conversa agradável. Vira um mata-mata.

Vale a pena? Não. O meu colega ficou falando sozinho, porque me enchi e sai fora. Antes teria dito um milhão de palavrões, mas agora  acho que homem  assim não merece nem um boa noite. Cada vez mais mulheres percebem que suas orelhas e sua dignidade não são privadas,não estão a serviço dos idiotas de plantão.
Quer rebaixar a mulher na conversa? Ótimo, então vai pro espelho e aprende a falar sozinho.

Iara De Dupont

2 comentários:

raylsonbruno disse...

Infelizmente ainda se passarão muitos anos antes que nós seres humanos deixemos de lado nossos preconceitos (machismo, racismo, intolerância sexual). E isso tudo nada mais é do que um motivo para as pessoas que não são se manifestarem nesse sentido.

Anônimo disse...

Só faltou explicar por que você acredita no Dr. Bactéria.

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