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19 novembro 2011

Meu perfume morreu e me frustrei de novo





Eu devia ter uns 7 anos quando pedi uma boneca no Natal. Minha mãe achou mais interessante me dar uma máquina de costura em miniatura. Odiei a máquina e a ideia. Fiz todo mundo saber disso. Minha tia então disse: 
-Essa menina não tem tolerância a frustração!
Achei isso durante anos. E anos. As coisas me irritavam, as pessoas me tiravam do sério, tudo porque eu não tinha tolerância a frustração.

A vida passou e não tem nada que eu tenha suportado mais do que frustração. Se era uma prova, passei com méritos. Frustração virou uma palavra, um modo de vida, um modo de morte. Tanto que me acostumei.

Antes eu queria uma coisa, ia comprar e de repente não tinha mais. Eu ficava verde. Hoje vou comprar e não tem? Tá bom. Um dia vai ter e senão tiver, paciência. Parece que me acostumei a esse mundo, onde se frustrar é como respirar.

Me frustrei em trabalhos, idéias, relacionamentos. Chorei, bati portas e lidei com essa péssima sensação que só a frustração traz. Ela vem junto com uma sensação de tristeza, de injustiça.
Lembro que fui comprar um sorvete. A moça da loja disse que acabava de vender o último. Ah,mais uma vez. Comprei outro sabor e não pensei mais nisso.

Não quero mais pensar nisso. Mesmo porque às vezes para não me frustrar eu persistia. Então quebrava a cara, não via os sinais da vida me avisando que estava caminhando em direção ao abismo.

Agora a vida que resolva por mim. Não tem o que eu quero? Deve ser um sinal divino. Não é o que eu quero? Deve ser uma favor divino.
Mas nem por isso a frustração vai embora. Nem por isso  deixo de reparar que muitos conseguem coisas que eu acredito que eram para mim.

Ganhei um perfume maravilhoso. Guardei. Não usei. Protegi ele como se protege a vida. Resolvi abrir e percebi que ele estava quebrado, gíria usada por perfumistas para dizer que ele já era, estava vencido.

Fiquei infinitamente frustrada, chateada, triste. Eu gostava demais do perfume e pensava usar em uma ocasião especial. Levei uma lição da vida. Ocasiões especiais não existem. A vida passa e não deixa recados nem agenda ocasiões especiais. O perfume é como tudo é, rápido, efêmero, etéreo, ele passa. Teria aproveitado mais ele se tivesse aberto e usado, sem esperar ocasiões especiais.
Mas o que seria uma ocasião especial? Não sei. Mas acredito que é um dia especial, tão especial que você esquece que tem um perfume guardado esperando esse dia.

É a lógica da vida. Tudo passa, às vezes é bom, às vezes é ruim. Às vezes deixa um rastro de perfume bom, mas no fim ele também passa. A lembrança fica. E a gente não percebe, foi um dia bom, o cheiro desse perfume fica, foi uma ocasião especial, mas como ninguém avisou ficou parecendo um dia igual ao outro.

Iara De Dupont 

3 comentários:

Jacqueline disse...

Nossa adorei esse texto, eu acho que sou uma pessoa um pouco sem paciência, também não tenho tolerância a frustração isso é ruim demais!

Poeta da Colina disse...

A gente nunca sabe o que vai ficar.

SIMPLESMENTE..........SYLVIA disse...

Maravilhoso texto, é assim mesmo ! Eu fico sempre esperando um momento melhor, e quando vou ver..., o tempo passou...
Parabéns ! Bjus...

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