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15 novembro 2011

Ainda existem pessoas interessadas nos outros?


Há um tempo atrás aceitei um convite e sai com um amigo de uma amiga. Um cara bem legal, simpático, boa pinta.
De repente a conversa caiu na política e ele logo me disse:

-Tantas coisas para você saber de mim e falamos de política!

Não sei até hoje porque registrei essa frase, a única que eu lembro desse encontro. Mas lembro que me incomodou essa frase, ficou parecendo muito egocêntrica.


Os tempos mudam muito e ele não entendeu. Hoje a duras penas sei coisas de mim, não teria nem o tempo nem o interesse para saber coisas dele.

É chato dizer, mas não temos mais tempo nem interesse no outro. A vida corre demais, é melhor ir junto e se limitar a frases no mundo virtual.

Antes era difícil mudar de ideia, mas com a internet todos estão conectados, mudando, conhecendo, descobrindo. Já não somos os mesmos de ontem e amanhã seremos mais diferentes ainda.

Onde fica o amor e o interesse pelo outro? Ah, isso é como aquelas massinhas de criança, flexível, colorida, que mexemos enquanto nos interessa. Depois de um tempo, não existe mais. As almas hoje se conectam em segundos e se afastam em minutos. Não temos mais a eternidade.

Dizem que é a cultura que mudou, tem gente que diz que a Terra se mexeu, o plano astral mudou, é culpa do mar que mexeu com tudo, culpa do homem que provocou a natureza. Não sei o que é, mas não é mais o mesmo.


Tenho tempo para esse Romeu? Não, nem paciência. Tantas coisas para saber dele! É mesmo? Será que ele era tão fascinante assim? Será que ele podia ser mais interessante do que acontece no mundo?

Tantas coisas para saber de mim e ainda não sei!

Não sei se estamos mais egoístas ou distantes. Mas estamos. O outro só existe em um espaço limitado, longe o suficiente para não perturbar. Se alguém na roda começa a chorar pitangas, a bebida dobra. Quem quer escutar mais um pouco sobre o outro? O outro agora é uma página social que abrimos quando queremos e nos limitamos a interagir como se ele não fosse real. Nenhum de nós é. 


Não somos um mundo de plasmas nem de espíritos, nem de humanos. Somos um mundo de páginas sociais, imagens em terceira dimensão. O outro só vive na nossa tela. Não queremos saber muito de ninguém, queremos apenas nos conectar com a maior quantidade de imagens que existem.


Pois é, Romeu, tanto para saber de você, em alguma dimensão seria legal conhecer pessoas que tem muito a dizer, mas aqui não temos tempo e nem sabemos mais o que é uma pessoa. Faz tempo que isso mudou.


Iara De Dupont

5 comentários:

Poeta da Colina disse...

Há uma temeridade pelo próximo. Será que é tão ruim conhecer um outro olhar para o mundo? Precisamos de outras almas para completar a nossa.

Rosi Rosa disse...

Assim é...me dei conta de como ando virtual, de desistir de sair por medo de mim e do outro. Paranóias modernas de que sempre irá acontecer algo. E o prazer de se saber se esvai em tlec, tlec do teclado.
Assim vai a paciência de ouvir, o distanciamento de si. Ao ler me senti estranhamente cercada de gente, mas sozinha...

Híndira disse...

Então, difícil pensar em épocas anteriores a que eu vivi e vivo. Mas, o retrato que você faz da atualidade me faz muito sentido. Penso que é possível se relacionar profundamente com alguém, ainda que não seja possível fazer isso com toda a lista de amigos do Facebook. Nunca foi possível abraçar o mundo todo.

Felipe Lários disse...

Tão próximos e tão distantes...a distância é mesmo muito relativa...me identifiquei bastante!

Eder C. Chaves disse...

Leio sempre seu blog, admiro a maneira como expressa suas ideias. Mas, eu queria sua opinião sobre um fenômeno virtual. O mundo virtual chamado SECOND LIFE. Realmente gostaria que você o observasse. Será que esse mundo virtual lhe serviria de alguma coisa?

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