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28 outubro 2011

Gordo tem nome?


Uma diretora de um site de encontros disse que o nick mais usado sempre tem um ''gordinha'' no meio como uma maneira de se identificar .
Vi rapidamente uma novela das sete e duas atrizes interpretam a mãe e a filha. Na vida real menos de dez anos separam ela. Mas uma é gorda, então ela é a mãe.
Gordura virou tão importante que é mais usado que o RG. Em sites de encontro as pessoas logo avisam quem é gordo, como se isso fosse um defeito.
Modelos magras são chamadas de modelos, modelos gordas são chamadas de modelos ''plus size''.

Desde que nasci meu nome é Iara, minha mãe já me chamava assim na maternidade porque tinha escolhido o nome antes, mas nem sempre ele foi mencionado. Meus pais me registraram e compraram uma pulseira com meu nome, mas ele não foi dito durante anos. No começo eu era  ''esse bebê gordinho'',  mais tarde virei  ''essa criança gorda'' e depois foi um adolescente ''gordona''. Como adulta fui ''cheinha'', ''gordinha'', ''grandona'', ''fofinha'', ''fortinha''. Quando alguém esquecia meu nome, logo dizia ''Sabe aquela gordinha?''.  Eu usava óculos, era alta, mas mesmo assim a gordura era sempre a minha primeira característica.
Quando reclamei de alguma coisa na faculdade alguém disse que como todos os gordos eu deveria ser insatisfeita. Ah, todo mundo pensa isso.

Gostaria de pelo menos antes de morrer ser chamada pelo meu nome e ser lembrada por qualquer coisa, seja boa ou ruim, mas não gostaria de que o coveiro reclamasse de ter que enterrar outra ''gordinha''.

Mas dane-se o coveiro! Pensei isso. Achei que poderia mostrar ao mundo que não sou só isso. Fiz, estudei, trabalhei e meu nome continua no R.G. Simplesmente porque não peso 60 quilos, então parece que não mereço ser chamada pelo meu nome. Agora sou aquela ''gordinha revoltada que escreve''. Eu que sei da minha vida  e quem não pesa o que a sociedade exige sabe o preço disso.

Já fui meiga, suave e doce. Achava que o mais importante era a maneira de ser, de pensar, de sentir. Errei. Devia ter guardado meus bons sentimentos para a terra dos pés juntos. Aqui a lei é outra.
Alguém me disse que um leão vê a presa, vê o animal diante dele e por que você pensou que seria diferente com você? Não pensei nisso, não pensei em nada. A lei da vida é essa, nós julgamos tudo pela aparência e ser gordo é dar espaço para um julgamento errado e miserável. Mesmo assim insisto, meu nome é Iara, se me chamar de ''aquela gordinha'' eu nem olho. Eu tive educação e não chamo ninguém de ''baixinho, altinhos, magrinho'', também não admito isso de nenhuma pessoa. E se vierem me dizer que me chamam de ''gordinha'' com carinho, aí que o bicho pega! Carinho é respeito, posso até ser chamada de gordinha por pessoas próximas a mim, mas não desconhecidos. Gordos têm nome e sobrenome, não são ''gorduchos'', ''gordões'', nem ''gordinhos''. Respeitar as pessoas é chamar pelo nome de batismo e eu não conheci ninguém até hoje que tivesse sido batizado com o nome de ''Gordo da Silva''.
E pra quem ainda está na dúvida, meu nome é Iara.

Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

iara, já tinha visitado seu blog há uns meses, mas só hoje voltei. gosto muito do modo q vc escreve, vou assinar o feed e acompanhar.

essa dicotomia entre oq somos (pessoas complexas, com mil defeitos e virtudes) e oq os outros acham q somos (gordas) me afeta de um jeito que criei 2 contas no tuiter: a @gordaneurotica e a minha conta pessoal, q fala de tudo, mas quase nunca sobre esse assunto proibido, pra não soar "vitimista" (como me acusaram no passado) e tb pra não ficar tão obvio q por trás daquele avatar há uma gorda, desqualificando tudo oq eu tenho a dizer.

não q eu esconda qm sou, até comento vez ou outra sobre a minha condição, pra não se "iludirem" de q há alguém magro ali, por incrível q pareça. isso já aconteceu uma vez, numa outra rede social: um garoto se interessou por mim (eu usava uma foto do rosto, um pouco desfocada e distante) e depois de conversar um pouco, o assunto caiu num papo de comida (ele era estudante de gastronomia, q irônico) e lá pelas tantas me retrucou com um "mas vc é magra, não precisa de dieta". só então eu percebi q ele n fazia ideia, apesar de todas as dicas sutis q eu dei sobre meu peso no perfil. devia estar achando que eu era mais uma dessas meninas que pesam 60kg e se dizem gordas para ganhar elogios.

enfim, é muito ruim vc ser identificado pelo seu corpo apenas. eu sou gorda, nem tenho tanta vergonha disso (já tive muito mais, estou trabalhando essa aceitação ainda), mas não sou só isso.

claro q isso afetou minha visão crítica do mundo. se eu sou humilde, por ex, talvez seja fruto de anos de humilhação. se eu não gosto de exibicionismo, talvez seja por ter noção do quão degradante é vc ser avaliado superficialmente, pelo seu corpo. se sou feminista, em parte foi pq quis tentar entender o ódio q a mim era direcionado gratuitamente (embora ja tivesse como grande valor a independencia pois fui criada por uma mae solteira).

mas a verdade é q eu me tornei oq sou com estudo, observação, reflexão, tenho um embasamento q vai além do inconformismo pessoal pela rejeição q sofri, logo quero ser respeitada e ouvida, sem que minha opinião seja filtrada por ser "biased" na minha vivência enquanto gorda.

é muito estranha essa situação em q vc sabe q todos se referem a vc como "a gorda", mas vc mesma se envergonha e evita o assunto, finge não ser oq obviamente é. desde q eu comecei a tentar me aceitar, consegui me referir a mim mesma desse modo, na tentativa de desmitificar a palavra mesmo. nao quero q "sua gorda" seja um xingamento pra mim, quero ser capaz de ouvir isso com a mesma serenidade q teria se ouvisse um "sua alta/magra/loira/etc".

Marcelo Pantazis disse...

Passei por uma situação semelhante! Conheci uma pessoa pela internet em 1996 do Rio de Janeiro. Passados 6 meses estávamos casados. Nos separamos depois de 4 anos devido ao seu ciúme doentio sem motivos e comportamento agressivo. Ela era obesa e colocava isso como um grave problema.
O problema talvez na minha opinião, não está em fazer dietas rigorosas e sim aceitar como somos. Se fizerem dieta (eu também preciso porque criticam o tamanho da minha barriga) façam pela qualidade de vida tomando isso como um objetivo. O que as pessoas falam não importa.

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