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20 agosto 2011

Perco a classe, mas não levo mais desaforo!



Contei para minha mãe que xinguei um homem no supermercado. Na fila a mulher dele decidiu pegar outros produtos e estava demorando. Eu não disse nada, mas ele percebeu que fiquei impaciente e começou a me xingar. Não pensei duas vezes e xinguei ele de volta.


Minha mãe ficou horrorizada: 


-E se for um maluco?

Pois é, e se eu for a maluca, quem mandou ele se meter comigo?

Meu pai diz que não é bom discutir, porque lá na frente podemos encontrar a pessoa. Minha mãe diz que não é bom falar nada, minha avó dizia isso, mantenha a classe.

Eu mantive. Em uma confusão na escola fui expulsa. Foi injusto, mas eu não quis pagar de louca nem perder a classe, então não disse nada a ninguém. Me fechei no quarto, tive síndrome do pânico, não saí da minha casa durante um ano e engordei 40 quilos. Engoli o que aconteceu, tudo para não perder a classe.


Levei 20 anos para falar disso, continuava sem querer parecer louca. Só falei porque um psicanalista me convenceu que poderia me ajudar, se soubesse o que tinha acontecido naquela tarde há 20 anos. 


Tantas coisas na minha vida teriam sido diferentes se eu tivesse reagido! Tão simples! Mas isso iria horrorizar meus pais e a mim mesma de um certo modo.


Mas em algum ponto da minha vida tive que mudar, tudo o que eu engolia quieta estava me sufocando, me tirando o ar e por instinto de sobrevivência mudei, os outros não existem mais pra mim. Quando penso que posso encontrar a pessoa lá na frente, penso que o azar é dela, não meu. Aprendi que reagir quer dizer não deixar os outros montarem em cima de você, porque as pessoas fazem isso com quem não reage.

Não me meto com ninguém, mas não aconselho ninguém a se meter comigo. Porque já não sei reagir na medida. Cada vez que reajo vem atrás de mim uma força que ficou oculta durante anos. Cada vez que reajo é como se eu pudesse mudar o tempo e voltar naquela tarde que fui expulsa da escola e saí de lá em silêncio, sem dizer a ninguém que tudo aquilo ali era mentira e uma injustiça.

Minha avó queria pagar de classuda, meu pai de bonzinho e minha mãe de santa. Eu paguei pela minha educação e por não querer pagar de louca, quase fiquei maluca mesmo.


Hoje sou eu e reajo sim. Não sou tapete, não sou grama para os outros pisarem. Não tem liberdade maior do que conhecer seu espaço e não deixar ninguém invadir ele. As pessoas são invasivas e mal educadas. Se tiver que colocar pra fora no grito, paciência. Perco a classe, mas não volto a ver os outros estragarem minha vida como se ela não valesse nada. Nunca mais deixo ninguém passar por cima de mim sem dizer nada, porque sei o preço do silêncio, ele sufoca, mata, enterra. E não quero isso para mim, nunca mais.

Iara De Dupont

3 comentários:

Nana... disse...

Amei seu texto...sou exatamente assim...pq todos nos falam de ação e reação e quando agimos em defesa propria não pode...

Sou bocuda tbm...tenho educação mas não me deixo ser humilhada de forma alguma e por ninguem !


@NanaP_inho
http://meninacajuina.blogspot.com/
Otimoo Find e um MoondbjOs...

Jacqueline disse...

Sabe, eu acho que você tem toda razão, devemos sim reagir a um desrespeito, as pessoas tendem a não respeitar o nosso limite e vamos deixar assim? De graça? Jamais! Eu respeito o seu limite , o outro é obrigado a respeitar o meu. As vezes manter a aparencia não vale nada, a língua do povo é grande demais e quando querem falar até se vc não sair de casa já inventam alguma coisa! POr isso, temos que ser livres, sem dever nada a nínguem!

Anônimo disse...

Hoje tento resolver meus problemas no momento em que eles surgem, porque depois de uma vida tentando ser perfeita e tentando agradar a todos não é fácil aprender a dizer não e colocar gente desaforada pra correr(já coloquei, mas as pessoas erradas).No meu trabalho já aviso, faço tudo direitinho, fico no meu canto, então não vem diretor, coordenador, o escambal mexer comigo não,que eu mando pra casa do chapéu mesmo.
Seus textos são DEZ!!! Leio todos!Minha memória é péssima, mas o texto em que você fala da banalização do verbo "amar", é demais!Eu tinha uma amiga que me amava tanto que queria ocupar o meu lugar em tudo, inclusive na minha cama.
A minha história está no blog Bipolar Brasil,como Ismália, a professora,se tiver curiosidade, dê uma olhadinha!

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