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06 agosto 2011

O Estado tem culpa na balança


Em uma entrevista um médico disse que os gordos estão saturando o sistema público de saúde.Não é só problema dos americanos, no Brasil também.Ainda disse que são disponibilizados 3 mil leitos por ano, para a cirurgia do estômago,um absurdo segundo ele.
Esse médico não deve saber que os gordos também pagam impostos e tem direito a saúde pública, não estão pedindo favor.

É cansativo esse discurso de que tudo é culpa de gordos. Aqui está acontecendo a mesma coisa que acontece nos Estados Unidos. O Estado reclama, xinga, odeia os gordos, mas não assume sua responsabilidade.

O Estado tem responsabilidade? Mais do que parece. Se fala em atividades físicas, deixar de ser sedentário e tal, mas onde tem parques públicos decentes? Os que existem não tem iluminação e tem péssima conservação. Então o gordo tem que pagar academia?

A indústria do açúcar é uma das mais poderosas do mundo, o governo adora empresas de refrigerantes, todo mundo ganha em cima disso. Quantos mais se produz, mais ganham todos.

Redes de fast-food tem acesso direto aqui, são fonte de dinheiro também. Com tanta grana circulando, todo mundo ganha, menos o gordo.
Não é só responsabilidade do gordo, o Estado tem sua parte. É possível andar de bicicleta em cidades grandes? Não.

É possível comprar comida orgânica a preços justos? Não.

Existem parques suficientes para que as pessoas deixem de ser sedentárias? Não.
Tem gente que vai dizer, quem quer emagrecer se vira. Pior que se vira mesmo, mas continua pagando impostos do mesmo jeito e tem seus direitos na rede pública.
Meus impostos pagam tratamentos para pessoas que fumaram a vida toda, para pessoas que bebem e saem dirigindo.  Mas eu não bebo e não fumo.
O gordo tem seus direitos  e o Estado falhou na sua responsabilidade. Não temos no Brasil um padrão alto de qualidade de vida e isso reflete na balança de muitos.
Aqui como nos Estados Unidos, os governos se limitaram a querer ganhar em cima dos gordos. Que não venham agora chorar o leite derramado e não é justo quererem tratar os gordos como cidadãos de segunda categoria, como se fossem totalmente responsáveis por tudo o que comem.

Eu não tenho acesso a produtos químicos jogados na comida, nem decido que produto vai ser modificado geneticamente. Também não posso garantir a qualidade da água que bebo e não existe uma rede pública pronta para lidar com nenhuma doença, muito menos obesidade.


E fica esse discurso hipócrita, tudo culpa do gordo, como se o governo não ganhassem milhões em cima deles. A maioria dos políticos tem ações em empresas alimentícias, mas disso ninguém fala.


Todos querem levar uma vida melhor, mas não depende apenas da pessoa, sem recursos e tendo que trabalhar para manter um Estado omisso e corrupto fica complicado conseguir melhorar fisicamente.


Muita gente me diz que tudo isso é desculpa de gordo, mas não é, quem já fez dieta sabe o custo dela, não é tão simples assim. É só ver o preço do quilo da salchicha e do peito de peru, alimento fundamental para uma perda de peso e a gritante diferença do preço do queijo ricota a um queijo amarelo.Tudo isso tem um custo elevado e nem  todos podem pagar. Emagrecer exige mais do que disciplina, é preciso acompanhamento médico, mas a rede pública não tem condições de fazer isso. Emagrecer sem ajuda do Estado é possível, mas torna a jornada mais difícil e dolorosa do que já é, e fica pior quando pensamos que pagamos por um serviço que não estamos tendo. Ninguém quer nada de graça, todos pagamos impostos. E ser deixado assim de lado ninguém merece.


Iara De Dupont 

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