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03 junho 2011

Pimenta nos olhos dos outros .....


Dizem que para ser um bom escritor devemos falar do que conhecemos ou ter uma imaginação além da conta, quase que brilhante. Na verdade dos gênios que existem a grande maioria falou do que conhecia ou achava sentir. Um dos maiores romances é a história de Frankenstein. Extremamente envolvente, pouco tempo atrás li que a escritora Mary Shelley acompanhava o marido em uma experiências de um amigo científico, que tentava reanimar mortos com descarga elétrica. Ela ficou tão impressionada que escreveu sobre o que via e por isso mesmo seus detalhes da construção do monstro são tão perfeitos.

Não acredito em manual para escrever nem no politicamente correto, mas acredito  que se vamos nos colocar no lugar do outro, temos que fazer isso com pinças. Como eu sou impulsiva e bocuda evito lugares perigosos. Posso falar de dietas e coisas do meu mundo, mas não me meto com mundos que desconheço, penso que um texto pode ser além de irritante, pode ser ofensivo, quando alguém que desconhece o assunto escreve.


Hoje vi um texto assim. Fiquei profundamente irritada, até porque conheço uma pessoa que passou pela experiência. Todo mundo erra, todo mundo acha que às vezes que poesia é cruzar o limite, é dizer o que realmente acha que sente. Não tem como julgar isso  politicamente correto ou não. Nem sei quem escreveu, mas tenho certeza que não pensava em ofender, apenas procurou uma imagem que fosse de acordo ao que sentia. Mas quando alguém faz isso me dá a impressão que de possui poucos recursos para se expressar. O texto dizia o seguinte '' Os cegos é que são felizes. Eles não dispõem desse embaraço que é o olhar. O olho é armadilha do coração ''.


É poético e cabia perfeitamente dentro do texto, mas por ter visto uma pessoa perder a visão e as conseqüências disso achei que se não conhecemos a situação, é melhor não mencioná-la.


Poesia, crônicas, livros, filmes, qualquer coisa feita em cima da dor do outro é questionável. Melhor mesmo a gente falar da nossa própria dor, que tanto conhecemos e que tanto material pode nos dar. É na nossa dor que podemos nos expressar, falar da dor ou felicidade dos outros sempre é artificial e nos afasta do que somos e do que  podemos ser. A nossa dor é real, a do outro é hipótese e nem sempre escrever divagando pode soldar um texto, já se escrevemos em cima do que conhecemos estamos trabalhando com cemento puro e isso resiste a qualquer golpe.


Iara De Dupont

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