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01 maio 2011

Convite a uma vida melhor


Todo mundo já brincou de construir prédios de criança. Seja com legos, ou com caixas de fósforo. Sabemos então que se estamos construindo e alguém vem e chuta, aquilo cai, tudo se destrói.

Por isso é tão difícil ser mulher em uma sociedade que sempre manda mensagens destrutivas. Mesmo que a gente não queira, elas entram na pele, como se fossem uma tatuagem. Hoje me peguei lamentando meu cabelo, herança índia, preto e liso, tão liso que já acordo de chapinha. Milhões de mulheres gastam fortunas para ter o cabelo liso, mas fui contaminada pelo verme da frustração, da não aceitação. Me peguei sonhando com aquele cabelo lindo e ondulado de uma atriz. Até pensei, com esse cabelo, minha vida melhoraria. Cabelo cacheado é lindo, sensual, livre, ao contrário do cabelo liso, sempre previsível, sempre igual.


A questão não é o cabelo, é a dificuldade em ficar em pé, quando ondas nos derrubam o tempo inteiro, desconstruindo o que tentamos a duras penas construir.


Isso é claro para a mulher, paz mesmo só quando tiver um filho, dizem na propaganda. Mulher que não quiser ter filhos, vai ter que escutar isso sempre. Até as magras também, porque ninguém é magro o suficiente, nem rico o suficiente.


É como colocar um tijolo e de repente caem três. Muita gente vai dizer, quem mandou dar bola? Bobona você que escuta a propaganda!

Adoraria não escutar. Mas tem dias, quase todos, que estamos frágeis, cansados da vida estranha e ficamos pensando nisso, como seria se eu fosse assim ou assado. Somos bombardeados de todos os lados com imagens e comportamentos ideais, sempre longe do que somos. E nem todos os dias acordamos nos sentindo fortes o suficiente para mandar tudo isso a merda.

Nem sempre estamos tão bem para aceitar nossa vida estranha em silêncio e resignação. Olhamos para os lados e tudo parece melhor. Nem sempre ser ou se sentir um alienígena é um sentimento positivo. Para que a vida lá fora não parecesse tão interessante e tão melhor que a nossa, então teríamos que estar em uma vida muito boa aqui dentro e ao olhar as coisas não nos afetariam tanto. Mas como fazer isso? O mundo é barulhento, invasivo e sabe vender. Vi aqueles cachinhos no cabelo na propaganda de xampu, mas parecia tanto um convite a uma vida melhor.....nem sempre resisto.


Iara De Dupont

3 comentários:

Jacqueline disse...

As vezes me sinto assim tb, acabo caindo na armadilha da sociedade ditadora, que começa a exigir oque devemos ser ou ter para ser felizes, e não de acordo com a nossa individualidade.

Thomaz Ribeiro disse...

Se fôssemos menos voltados para o que é imediato e tão físico, essas coisas passariam despercebidas em nossa vida. Como diria a filosofia budista: "O sofrimento é opcional".

Poeta da Colina disse...

É complicado nascer nessa sociedade. Herdeira de culpas, erros e atrasos. E a consciência infelizmente para maioria de nós, é tardia.

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