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23 abril 2011

Alta literatura?




Uma vez um antigo amor me mandou um rascunho do livro que estava escrevendo. Não entendi nada e escorreguei, falei isso. Lógico que ele se defendeu dizendo que eu não estava acostumada com alta literatura e por isso não tinha entendido nada, porque a orientadora do doutorado dele tinha considerado genial.

Assim como em tudo, as pessoas colocam rótulos e dividem por categorias. Consideram os textos como ruins, primários, básicos e alta literatura. Pessoas que vendem livros são consideradas escritores inferiores, porque quem escreve além disso não vende, então é culto. No mundo inteiro escritores de best-sellers são discriminados pelos acadêmicos e ignorados por apreciadores da ''alta literatura''. Livros que as massas consomem são vistos como livros marketeiros e vazios.

É nauseante ver como uma arte pode ser dividida de uma maneira elitista.

Pra mim existem textos que gosto e textos que não gosto. Ponto. Leio o que me move, me emociona e não gosto de coisas que não significam nada. Isso não me faz burra, nem analfabeta nem limitada. Arte é assim mesmo, batemos o olho e nos achamos ali, caso contrário não tem sentido insistir. São seis bilhões de pessoas no mundo, cada uma com sua visão e essa maneira de dividir os leitores mostra como a indústria é mentalmente fechada.


Visito muitos blogs e alguns não entendo. Simplesmente porque a pessoa na hora de escrever foi atrás de regras acadêmicas, de frases construídas e seguiu as orientações precisas. Está perfeito, bem armado, texto impecável. Mas não quer dizer nada, não significa nada, não dá pra entender nada, porque não existe nenhuma emoção ali, mas também já li blogs acadêmicos perfeitos no português e com um texto emocionante.

Fernando Sabino dizia ''Tem que ser muito homem para sangrar em cima de uma folha em branco''.

Quem não quer sangrar vai atrás da perfeição acadêmica e esquece de colocar a alma. Mas a gente não escreve com regras, com gramática perfeita. A gente escreve com a alma, com a vontade de gritar, com o movimento do mundo, com o silêncio dos outros. Regras são boas e devem ser usadas e respeitadas, já que são a base do nosso idioma, mas não são o impulso que nos leva a beira do abismo, nem a beira nem ao papel.


Iara De Dupont 

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