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05 janeiro 2011

Bandeja (sou a primeira geração livre)


Em muitas coisas celebro a modernidade. Apesar de muitos reclamarem que hoje as pessoas estão egoístas e individualistas, acho isso bom. O lado ruim é que essa atitude prejudica o planeta, detona a natureza, acelera o fim. Mas a parte que gosto é a liberdade. Hoje as pessoas entendem a frase de que se Deus te deu só você pra cuidar, provavelmente ele espera isso,que você cuide de você, isso não inclui o resto do mundo. Para algumas mulheres e me incluo nelas, não poderia ter sido melhor.

Vou ser a primeira geração da minha família que quando morrer vou olhar para trás e poder ver minha vida, assumindo meus erros e ciente das minhas escolhas que não envolvem outra vida, apenas a minha. Pode parecer nada, mas eu acho isso maravilhoso. Venho de família de mulheres massacradas no matrimônio, simplesmente porque era assim. A mulher colocava sua vida na bandeja e entregava ao homem dos seus sonhos que logo virava homem dos seus pesadelos. Nenhum ser humano tem a capacidade de receber uma vida alheia nas mãos sem fazer merda.


Mas era isso que se esperava sempre das mulheres, essa flexibilidade, essa rápida adaptação ao novo amo. Com a rapidez que o tempo mudou veio a pior parte, pior do que entregar a tua vida nas mãos de outro, é perceber que isso foi a coisa mais estúpida que você poderia ter feito. Olhar e ver 30, 40 anos queimados à toa. O amo sempre se revela o pior possível, porque ninguém respeita quem se entrega de bandeja. E nem obrigado essas mulheres vão escutar. Pelo contrario, as frases mais comuns são ''eu nunca te pedi nada'', ''casou porque quis'', ''foi boa esposa porque quis''.


Não adianta alegar hoje que tudo foi feito pra manter uma família unida. Também acho isso lindo no papel, mas na pratica ninguém merece tanto sacrifício.


Bandeja é uma coisa que serve para colocar comida e ir assistir televisão. Não se coloca uma vida nela e mais ainda pra entregar pra qualquer um.


Mas não quero nem posso ser mal agradecida. Graças a erros anteriores e sacrifícios alheios, eu posso levar minha vida livre, sem essa corrente, sabendo que não tenho que servir a ninguém, sabendo que o amor não é um sentimento que te faça escravo de alguém.


Poder viver os erros da maneira que eu quiser é a melhor herança que todas elas me deixam. Mas lamento profundamente tanto sangue que foi derramado apenas porque elas não sabiam que só tinham que cuidar da vida delas, de mais ninguém.


Iara De Dupont

4 comentários:

Misturação - Ana Karla disse...

I.D. que texto perfeito.
Mulheres não forem feitas para se entregarem de bandeja a um companheiro, ainda mais desses que não dão o devido valor.
Excelente podermos escolher, mas nada de bandeja.
Muiiito bom.
Xeros

Inaí Souza disse...

Adorei o texto.
Concordo que a liberdade de escolha é o mais interessante hoje e que nenhum ser cuidará melhor de você do que você mesma.
Virei aqui mais vezes! :)

Ana Paula Porto disse...

Olá! Retribuindo a visita e o comentário. Ótimos textos, parabéns!

Pima disse...

achei mto bom!
'bandeja' também é o nome de uma jogada de basquete, sei la, falei... haha

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