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27 outubro 2010

Amor à caneta





Segundo dizem sempre é bom limpar os armários. Tirar o velho, deixar espaço para o novo, mexer as energias. Limpando meu armário achei umas cartas. Umas cartas que neste momento não são mais do que papel, não significam nada, pelo contrário, até me envergonham um pouco. E lembrei daquela teoria de que o amor não acaba, se transforma, ele vai durar pra sempre, quem ama uma vez, vai amar aquela pessoa até o fim. Nesse caso das cartas eu posso garantir de pés juntos que amei mesmo, tanto que cai doente quando acabou, fiquei no limbo durante anos, só movida a lembranças.
Mas o tempo passou e com ele a água que limpa veio e comecei a ver de quem eu tinha gostado tanto. Fui vendo o que sempre desconfiei, uma pessoa sem nenhum caráter e hoje anos depois não sinto nada, não guardo mais nada, se chego a sentir alguma coisa é vergonha mesmo, por não ter visto a espécie que era.

Tempos depois conheci outra pessoa. E gostava dele. Mas eu só gostava, ou achava isso. Tanto gostava que nunca levei a sério e nunca foi além de gostar. Até porque ao contrário do outro, não parecia um príncipe, era um cara normal, engraçado, mas normal, o outro não, era quase um Deus em tudo, no que fazia, no que pensava. Dele não tenho cartas, se tinha e-mails apaguei. Mas não preciso de cartas dele. Quase sempre, com muita freqüência me invade a saudade, a vontade de ligar, a vontade de dizer muitas coisas. A saudade da voz dele me acompanha todos os dias. Foi uma confusão em um estojo de lápis e caneta.

O primeiro eu marquei com caneta, achava que era um amor assim, escrito na pedra, escrito na tinta da caneta, aqueles que não saem nem com o melhor detergente. O outro eu achava que era um amor a lápis, qualquer borrachinha apagaria, sem marcar o papel e a vida seguiria em frente. E hoje depois de uns anos eu percebo que errei. O primeiro era amor a  lápis, o tempo apagou, não ficou nenhum vestígio, nenhuma sensação boa. E o segundo foi a caneta, marcado para na  eternidade, um caderno que eu abandonei, mas não me abandona. Uma caneta que deixou uma marca que parece tatuagem.Tantas coisas na vida marquei a caneta e eram a lápis, tantas coisas marquei a lápis e eram a caneta.

Iara De Dupont

6 comentários:

Cristin disse...

Gostei !!!! Achei bacana esse negócio de amor a caneta...amor a lápis...adotarei!
Bj bonita

Misturação - Ana Karla disse...

Me identifiquei imediatamente com seu texto.
E que sensibilidade!
Parabéns!
Devemos guardar mesmo aquilo nos valha a pena.
xeros

Geane Luciana disse...

É bom rever erros e acertos das nossas histórias de amor que passaram...adorei o post
bem sincero e cheio de sentimento! bjus

Nira disse...

Adorei seu texto!

Diana Carla disse...

lindo texto..ao fazer a leitura fui me vendo emuam situação parecida... como é complicado definirmos o que está a caneta ou a lápis!!!

bjinhus...otima noite!!!

Poeta Da Colina disse...

Não há nada que deva ser tão permanente e nada que valha ser tão efêmero.

O necessário fica marcado na alma.

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