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27 julho 2010

O grande acontecimento






Uma das coisas que me falaram foi sobre o grande acontecimento. Alguma coisa que acontece na vida de todo mundo que justifica a existência inteira. Para algumas pessoas esse grande acontecimento é o dia do casamento, para outras o dia que chega uma criança, outras uma promoção. 
Mas esse grande acontecimento em geral  é uma coisa meio divina, alguma coisa que parece mudar tudo e nem sempre tem a ver com nosso esforço nesta vida. E eu me pergunto o seguinte, é pra todo mundo que acontece isso? 

Pelo menos no Brasil temos essa cultura de mudança de vida na pele. Ainda nos deslumbramos com essas histórias de meninas que vem do interior, entram em programas e viram estrelas da noite para o dia, o grande acontecimento que mudou a vida delas. Ainda somos a cultura que mais venera a Cinderela. Mas também veneramos as palavras esperança, talvez, Deus, justiça, quem sabe. Em uma pesquisa mundial elas aparecem como as que mais mencionamos, ao contrários dos americanos, que usam mais as palavras construir, ter e guardar.

E se esse grande acontecimento não acontecer para todos nós? E  se for alguma coisa especial para pessoas especiais? O que seria de mim? O que me espera então? Uma vida medíocre, pequena, quase invisível? Que vida se leva se não acontece alguma coisa boa que muda ela? Poderia então contar eu com a sorte e ganhar  na loto?Poderia eu ser feliz com uma gama de sentimentos mais simples e pequenos? Se nada acontecer na minha vida, que tanto eu posso fazer? Sim, porque esse grande acontecimento não depende de mim, depende dos Deuses, ou não?

Mas não sou pessimista. Existe uma beleza na vida simples, sem grandes acontecimentos, chega a ser confortável. O problema é quando ela acaba. E olhamos  para atrás e não tem muito o que ver. Só umas partidas de gamão em um parque da cidade, em um dia de sol. E um tédio, o infinito, o eterno.

Iara De Dupont

4 comentários:

Escritor em treinamento disse...

Acreditar na beleza do simples implicaria em aceitar que um dia tudo acaba e nada fica, a beleza de evaporar no ar sem deixar vestígios: a arte do desapego.

O teu fim, ou a imagem que você faz dele, é parte do seu agora, vc a carrega consigo. Imaginá-lo melancólico e sombrio, mesmo que imersa em uma suposta tranquilidade não-pessimista, me faz pensar que seja melhor negócio voltar a acreditar no grande acontecimento (se é que vc deixou de acreditar em algum momento...)

Ok, reconheço que talvez eu esteja me enganando, que vc disse "o que me espera" apenas como recurso da narrativa, mas talvez (e compre esse talvez!) vc tem essa visão de que tem algo para vc. E, se for para acreditar, que seja em algo bom, certo? Algo... grande ^^

Carolina Formigoni disse...

Boa reflexão.
Muitas vezes passamos uma vida inteira esperando um "grande acontecimento" quando o que nos traz felicidade são exatamente os pequenos, como o simples fato de poder acordar e sair andando até onde nossa vontade nos levar. São aquelas coisas das quais só sabemos a real importância quando as perdemos.
Que bom estarmos refletindo sobre isso hoje. Isso nos dará mais tempo de aproveitar os "pequenos acontecimentos".
Abraços!

N@nd@ disse...

Eu sempre me pergunto se haverá um grande acontecimento pra mim. Mas encaro todos os meus acontecimentos como grandes, desde a primeira apresentação com a orquestra, cada pessoa com quem me envolvi, essas coisas. O sol se podno, a lua nascendo são grandes eventos pra mim. Acho que isso faz parte do meu autismo, então não sei se é um bom exemplo!!!
Adorei o texto, estou te seguindo.

A Bipolar disse...

Iara, adorei seu comentário... e vou seguir seu conselho e não me censurar! Gosto muito dos seus textos, me identifico bastante.
Beijo e boa noite!

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