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14 abril 2010

Sem placa de sinalização



Tenho vários emails  me pedindo para colocar aqui os sintomas físicos da síndrome do pânico. Vou ser sincera em relação a isso. Não sou médica e não entro nesse assunto por uma falta total de interesse da minha parte. Porque os sintomas são simples, a famosa taquicardia, a sensação de morte. Tem milhões de blogs (ótimos ) que falam da síndrome com todos os detalhes, tem muita informação confiável na internet.

Eu não tenho nenhum interesse na parte física da questão. O meu único interesse, a minha única obsessão em relação a síndrome é o estrago que ela faz na vida de uma pessoa. Porque ao contrário de várias doenças não existe um processo lento, a síndrome não começa em um ponto e vai subindo. Em geral ela explode. Você dorme uma pessoa e acorda outra. E falo com toda a certeza do mundo que não tem sintoma que chegue aos pés do caos que vira tua vida e de quem está com você. E ao ser difícil de ser diagnosticada, você começa a ter a impressão que enlouqueceu mesmo e começa a enlouquecer os outros.

Ainda bem que hoje tem muita informação,  mas quando eu tive a primeira crise com 14 anos, não existia essa informação circulando. Acabei  descobrindo  que eu tenho uma memória incrível, fora do comum, não esqueço coisa ditas. E lembro de muitas bizarrices que meus pais escutaram, uma delas, de um psicólogo, que disse que eu estava bem, era normal na adolescência a pessoa querer morrer e não ver mais ninguém. Eles podiam ficar tranquilos, era só a dor de um adulto nascendo e matando a criança. Bom, parto longo esse, porque 15 anos depois eu não posso afirmar que essa adulta nasceu.

Para mim não faz diferença nenhuma o que uma crise dispara no meu corpo. Porque a sensação que eu tenho é que como  a de muitas pessoas, eu tinha um mapa do que eu queria na vida, era como um guia, com nome de ruas, de bairros, as respostas estavam ali e depois da primeira crise jogaram esse guia, esse mapa no fogo e de repente me vi sozinha escolhendo caminhos escuros, traçando rotas, como alguém que se aventura em uma floresta sem um kit de sobrevivência.

Faz diferença uma crise que te dá falta de ar, enjoo, sensação de morte? Para mim não. Porque sei que meu corpo morre uns segundos, dá curto circuito, mas como um Frankenstein, ele volta, ele revive. E aparece na estrada, de novo, sem sinalização, sem placa de orientação. E lá estou eu de novo, sozinha, refazendo a minha vida.


Iara De Dupont

4 comentários:

ana disse...

Adorei seu post!bj

Zilda Costa disse...

Olá, desculpe a invasão.Boa idéia a sua viu?Já tive três Editoras e nenhuma delas valorizam o escritor.
Sucesso!

Regina Rozenbaum disse...

Iara
Aceitando seu convite vim conhecer seu espaço. No mínimo instigante...Infelizmente, em muitos aspectos, concordo com você e lamento por tanto sofrimento que passou e que ainda deve passar...independente de ser ou não portadora da síndrome. Pelo simples fato de humana ser... Lamento também por tantos médicos, psis, que percorreu e se submeteu até chegar nessa fantástica saída! A sua! Estou num momento de crise e que em muitos aspectos se encontram com alguns de seus questionamentos. Faço-lhe um convite: retorne ao meu blog e leia no marcador Psicologia e Psicanálise escritos meus desde o ano passado quando iniciei o blog (pode iniciar com o do dia 30/03/10). Ficarei honrada com sua presença e comentários. Vou linkar seu blog lá.
Beijuuss n.c.
Regina
www.toforatodentro.blogspot.com

Veronica Arteira disse...

Oi, Iara, vim retribuir a sua visita e estou aqui lendo, lendo...
Quanta coisa a nossa cabeça é capaz de inventar, criar, imaginar, e que nos fazem sofrer tanto. Pq tudo está dentro da nossa cabeça, é assim que eu penso. Por isso é necessário um enorme cuidado com os tratamentos variados que existem por aí. Como entender o que se passa dentro da cabeça de cada um e porquê ? Que bom que vc conseguiu superar a síndrome e pode passar suas experiências para outras pessoas.
Voltarei mais vezes.
Bjssssssss

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