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09 abril 2010

A pirâmide




Uma vez me explicaram que o pânico é como uma pirâmide. Precisa de uma base, a parte física  e os dois lados, a parte emocional e psicológica. Tem gente que diz que a emocional é a espiritual, mas enfim, estão todas ligadas. No momento que essa pirâmide se fecha, então na explosão, é assim mesmo, começa a síndrome. O segredo seria decifrar o que ativou cada lado e a  base da pirâmide. Não sei se dá certo isso porque até hoje eu não sei o que ativou minha parte emocional. Sem essas três partes ligadas na mesma hora, acho que não rola nada mais sério, mas não sou médica para saber.


Às vezes o pior é olhar para o passado e pensar como podemos ser tão burros por nada. Eu sempre fui saudável , mas resolvi com 14 anos tomar remédio para emagrecer. Com um corpo se desenvolvendo e com a quantidade de drogas que vinham em uma cápsula, até que me sinto obrigada a dizer que poderia ser pior. Tive uma amiga que se suicidou por usar o mesmo remédio que eu para emagrecer. E quando eu penso nos 15 anos de calvário que eu passei, que eu mesma detonei, por nada, por uma vaidade estúpida e sem sentido. E nem era a época das magrelas como hoje, as mulheres nos anos 90, ainda podiam caminhar normalmente, não saiam por aí desmaiando e vomitando em todos os lugares. Eu sem querer criei a base,sempre falo isso, que alimentei o dragão achando que era  um gatinho.


É claro, já existiam em mim tendências, desde que nasci sou ansiosa, gosto de tudo perfeito, preferia morrer do que errar, se juntar  isso com um passo em falso e pronto. Não sou  fã dessas teorias genéticas, acho meio simplistas demais, mas acredito sim que tenham sua verdade, principalmente nisso, nascemos com um tipo de  temperamento, aprendemos com ele, mas não vamos mudar e pessoas como eu tem que passar longe de remédios. Agora remédio para emagrecer é impossível descrever o que significa. O que é estar mais magra ? E lógico que eu emagreci com os remédios, mas em troca não existe almoço grátis, entreguei minha vida, minha juventude e todo o caminho que eu desenhei para mim foi alterado, mudado. Não tem honra nessa história, não tem dignidade nisso, voltei  da guerra para dizer que por  favor não façam isso, não usem remédios para fins estéticos, não se troca um corpo saudável por uma mente queimada. Essa foi a minha troca e até hoje, como se fosse dívida de banco continuo pagando, pago juros que as vezes, no meio da noite, olhando para o teto me pergunto se um dia  vão acabar.....



Iara De Dupont

3 comentários:

conversacomotravesseiro disse...

Oi...
Achei seu link no blog "Uma enorme contradição". Eu sou da "turma", se assim podemos dizer. Tenho distimia e, por anos, tive Síndrome de Pânico. Na verdade, a Síndrome, aprendi a controlar, porque, se descuidar ela volta. Vou ler seu blog (gosto de ler blogs inteiros) e volto com novos comentários. Vou te linkar no meu blog, ok?
Até mais.
Carina

conversacomotravesseiro disse...

Não culpe seus atos pelo que vc passa. A doença tem diversos fatores, sim: o genético (ansiedade é um veneno), o ambiental (será que o suicídio de sua amiga não foi um estopim?) e o individual (como cada um reage às mesmas situações). Foi assim que minha psiquiatra me explicou. Muita gente toma remédio para emagrecer e, depois que para, volta a ser "normal"; não tem pânico por isso. As doenças mentais são muito mais complexas, até porque não existe mente sem corpo. Então não culpe seu ato. Vc não está pagando pelo erro que você cometeu lá atrás. Vc pagou naquela época. Hj você vive outro problema, maior, com mais detalhes. Não simplifique tudo àquilo. Não foi você, não foi ninguém que criou seu pânico. Foi tudo junto!
Se cuida!
Beijos
Carina
carina.beatriz@gmail.com

ju rigoni disse...

Minha síndrome é bem específica. Luto, já há alguns anos com meu pânico de cidades grandes e meu medo de avião. Demorei um certo tempo para compreender que tratava-se da síndrome. A sensação, quando preciso enfrentá-los, porque contraditoriamente não há como sobreviver sem enfrentá-los, é de morte... Os sintomas são aterradores.

A síndrome do pânico é mais comum do que se imagina. Porém, como na doença do alcoolismo, para que haja uma chance de tratá-la é preciso admitir que a temos. A maioria, segundo meu médico, demora para fazê-lo, e quando busca ajuda está num estágio difícil.

Tenho um amigo que também tem a síndrome, e ele a descreve como um caminhar sem fim sobre uma corda permanentemente bamba, de onde pode despencar a qualquer momento para a morte.

Sua síndrome é tão avassaladora que não consegue nem mesmo entrar na internet para tentar interagir. Uma pena, porque ele consegue fechar uma das únicas janelas por onde poderia tentar, de algum modo, respirar. Por exemplo, blogar, ou simplesmente navegar, pode ser (ou não, dependendo do estágio em que se encontre) um passo mais importante do que parece.

Buscar ajuda profissional, não há dúvida, é importantíssimo; fundamental para que a doença não evolua.

Mas que não esperemos milagres, porque as respostas, é claro, moram todas dentro de nós mesmos.

Bjs, Iara, obrigada pelo convite, e inté!

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