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11 abril 2010

O pedaço de mim que não é o todo





Sou a filha caçula. Isso fez cair em cima de mim clichês e etiquetas que eu não procurei, fui fácil de rotular. Nervosinha, ansiosa, mania de perfeição, mania de ficar sensível com tudo. Minha mãe não me dá mais presentes porque disse que cansou de dar presentes e eu não gostar, eu falava , ela berrava e eu acabava no choro. Assim a família inteira chegou a essa conclusão - Essa menina é sensível demais! Melhor não dizer nada! Quando eu descobri que Papai Noel não existia a vida da minha mãe virou um inferno. Eu desmontava a casa, mas achava os presentes dias antes do Natal. Fazer o que? Coisa de caçula mimada e ansiosa, quer tudo e quer agora.

O mapa astral já tinha avisado, é culpa do ascendente em sagitário, fala o que pensa e pronto. Cresci nesse planeta. Convencida que eu, um ser humano inteiro, com todas as suas capacidades era só isso mesmo, ansiosa, nervosa, sensível. As coisas boas que aconteciam comigo eram porque eu era sensível e tinha percebido, as ruins eram porque eu era sensível. Se eu gosto é porque sou sensível, se eu odeio é porque sou sensível. Se fiz as pazes é porque sou ansiosa e não perco tempo, se briguei é porque sou ansiosa e não dei tempo. Tudo na balança pesa para esses lados.


Ainda bem que o tempo passa e a vida costuma dar tapas em todo mundo. Eu levei os meus. E demorei muito tempo, tenho até vergonha de dizer, mas demorei em perceber que nenhum ser humano é feito só de três defeitos que também são qualidades ou vice-versa. Eu não sou só isso. Ninguém é. 

Como o mundo seria simples se todo mundo só tivesse três pontos na testa, indicando o que são. Fui rotulada, tratada dessa maneira, que hoje pessoalmente considero uma falta de respeito. Aprendi a bater, depois de apanhar. Se hoje em algum Natal algum tio me recorda que sou ansiosa, eu faço questão de dizer que ele já bebeu demais.

Acho triste conviver com alguém e só ver isso. Não vou negar, sou ansiosa sim, se pego avião penso se o piloto teve uma noite de sono boa, penso besteira sim, sou sensível aos horrores no mundo, não sou fria nem distante de nada. Mas sou um todo, um quadro completo, não uma peça solta de um quebra-cabeças. Sou um ser humano com todos os defeitos e qualidades possíveis, não posso ser julgada por uma peça. Não posso ser julgada por uma síndrome. Não sou ela, nem ela me representa. Não é minha lua, nem meu sol. É uma estrela, que brilha distante, às vezes posso ver, às vezes não. Por isso gosto das noites claras, onde o céu brilha e vejo milhões de estrelas. Então eu vejo minha síndrome lá. Mas também vejo o resto, vejo as outras, vejo o todo. E vejo como o meu céu é perfeito e infinito.Vejo que não sou essa estrelinha perdida. Sou um universo, infinito, que não se define em três coisas, como qualquer ser humano.



Iara De Dupont

3 comentários:

Fabian Normann disse...

achei teu blog numa comunidade do orkut, que tu mesmo postou, e resolvi entrar para ler!

Achei otimo esse teu texto, e digo que tudo que tu escreveu é bem verdade, concordo que ninguem se define em 3 coisas.

Sucesso pra ti! Voltarei mais vezes pra ler teu blog..

abraços.
Fabian Normann
www.fabiannormann.wordpress.com

manosca disse...

perfeito,adorei
amo passar por aqui e sentir esta linda menina percebendo que tudo tem dos lados...e que a balanca pende pro lado que eu der atencao.
voce esta cada dia melhor...
continue
nao se esqueca que te admiro muito.
um abraco carinhoso e bem apertado.

Johannes Dudeck disse...

Maravilha de escrita. Adorei o texto.Jovem escritora em ? +) .. Interessante.

Bem,abraços e espero logo pelo próximo post. =D

Johannes

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