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19 abril 2010

Gotas de veneno




Qualquer doença afeta a auto-estima, de um jeito ou de outro. Imagina quando ninguém vê a doença. Ninguém sente ela, além da pessoa doente. E confunde todo mundo. O problema dessas confusões é que nos fazem perder a noção de quem somos. A síndrome do pânico exige explicações, pessoas sempre me perguntam como eu peguei ela. Nunca achei que peguei ela, pelo contrário, ela que me pegou, eu até tentei correr. E por algum motivo me convenceram  que eu estava  na corda bamba, tentando atravessar sem rede de proteção. Não sei como outras doenças afetam a auto-estima, se vão devagar ou  rápido. Mas no caso da síndrome ela desce no organismo como um veneno, são gotas que vão devorando toda a tua auto-estima, caem como ácido. É lento, mas um dia você acorda e tudo já foi devorado. Você vai ter certeza que é um lixo de ser humano, que não consegue nem controlar a própia mente. Dá até para sentir os pés se equilibrando na corda, tremendo. E o tempo passa e agora o que era dúvida vira certeza , a síndrome te fez mesmo um imprestável.

Mas em algum momento, não sei qual, você olha para baixo e vê que não tem mesmo uma  rede de proteção e você não caiu. E começa a reparar e percebe que não está caminhando em uma corda bamba, mas sim em uma base de metal. É o contrário do dito. Muitos erraram quando disseram que eu não servia para nada com uma doença imaginária. Passar por uma doença dessas e seguir caminhando exige uma auto-estima muito mais forte do que parece. A gente percebe o quanto teve que ser corajoso  para dar um passo. Porque sair de casa se sentindo bem, qualquer um faz isso. Mas sair quando o mundo está caindo e tua mente está destruída, isso sim exige uma força de poucos. Tem que ser muito forte para abrir essa porta. E então você percebe que mesmo em gotas mesmo com o dito, mesmo com as etiquetas de inútil, mesmo com tudo isso, a tua auto estima não foi destruída, pelo contrário, essas gotas de veneno só te fortaleceram. Porque se sentir bem leva qualquer ser humano a fazer qualquer coisa, mas se reconstruir e aprender a caminhar na dor, no pânico, isso te leva mais longe. Só vai caminhar no céu quem conseguir atravessar seu próprio inferno e quem sofre com síndrome do pânico sabe disso, o inferno é todos os dias, a gente caminha nas pedras quentes, mas um dia conseguimos alcançar o outro lado e podemos perceber que somos mais fortes do que pensamos e nossa auto estima aparece e se sente feita de pedra, talhada a mão, no sofrimento. E não somos mais igual a quem um dia fomos, hoje depois de tudo somos muito melhores do que pensávamos.



Iara De Dupont

7 comentários:

Marcia Valesca disse...

Nossa...muito intenso isso!
Parabéns por sua coragem. Seu blog é muito legal.

Nani disse...

adorei sua colocação, sair de casa bem é fácil, quero ver sair sentindo que seu mundo pode desabar a qualquer segundo, já faz algum tempo que tento superar meus medos e acho que seguir você vai me ajudar, posso? paz

Flor de Junho disse...

Vivo isso todo dia...Foi bom ler o que vc escreveu.

Beijos! Rosa

Ramona Reichert disse...

é....
sempre me achei covarde, as pessoas sempre me viram com uma fragilidade incomum.
Mas agora que passou tenho que concordar contigo... Nós somos muito fortes! Muito corajosos!

Adoro teu blog.

Beijo

mrv.RODRIGO disse...

Assim que a "ficha caiu" quando me vi imensamente mergulhado na solidão pela separação conjugal, quando entendi que a (ex) mulher me via tal qual eu me sentia naquele momento, ou seja, como um "nada", então pude sentir o que é sentir pânico da síndrome do pânico.

Iara de Dupont explicitou bem como é a síndrome do pânico. Simplesmente ela surge, não se sabe de onde vem, como se forma, por que pega você como alimento.

Já tive acidentes com incêndio, carro e algumas doenças físicas gastrointestinais que me sucumbiram ao nada. Cálculos renais e de vesícula também. Então estou sempre morrendo e renascendo.

Entretanto pancadas como a depressão, quer por perda da auto-estima ou de um amor (que a gente jurava que seria eterno) e corrosões como a síndrome do pânico são coisas que não dão para suportar. Aliás, até suporta-se, mas não só quando se já está um "verme humano".

A síndrome do pânico é puro pânico mesmo. Que esteja na igreja ou no shopping e o ambiente encheu de repente, prepara porque aí vem bomba... o desespero cega de tal maneira que dane-se se você está arrumado como um galã ou se tem pessoas conhecidas olhando seu "mico". Tudo se torna um vulto só, um flash, você só quer sair dali, custe o que custar... até mesmo a própria vida.

Não... não é ficção... é síndrome do pânico mesmo.

*Carol Carolina* disse...

bom, esse assunto é mto delicado. Tenho amigas com a sindrome e minha mãe já superou ela, com mto esforço e fé.

Acho que um dia de cada vez já um passo bom, e se permitir não estar 100% bem tbm.
a gente exije mto de nós, talvez fosse hora de desconectar e tentar aos poucos entender um pouco mais de nós mesmos.

Um beijo, fique com deus

Renata Victor disse...

Belo Blog! Parabéns!

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