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08 abril 2010

Cada um é cada um



Eu não deveria ficar comentando  o que me escrevem, mas às vezes eu acho muito engraçado. Recebi hoje de manhã um e-mail reclamando do tom do meu blog, dizendo que é extremista, que também tem síndrome do pânico  e não é tão fatal assim como eu falo.....Ah, cada um sente de um jeito né? Paciência, eu sempre falo isso, tudo o que eu falo sobre a síndrome, falo sobre mim. Não sou médica, não falo por ninguém. Por isso aviso que falo de síndrome do pânico aqui, no meio de tantos assuntos.

E sou extremista para   falar dela ? Nossa, olha que eu nem falei tudo ainda. Só comentei de algumas coisas, nem entrei em outro aspecto da síndrome, muito mais sério que é a depressão. Existem milhões de depressões, mas pessoalmente acho a que vem depois de um ataque de pânico é terrível. É um  vazio impossível de descrever. A sensação de inutilidade, a sensação de ser uma pessoa, um ser humano que não serve para nada, que não consegue dominar o próprio corpo, não controla a mente consome qualquer um. Sempre vai ter gente  por perto dizendo que depressão é coisa de gente que não sabe lutar, que não se mexe, que não  faz nada para melhorar. Como explicar o outro lado da humanidade ? Tem pessoas que acordam cantando, conversando com plantas e navegam neste planeta felizes, ignoram mesmo o caos, tem algum chip que eu não tenho, porque conseguem viver  dentro de cores que eu não vejo. Tenho a impressão que é como um filme, tem as pessoas que vivem e curtem tudo e   tem as pessoas como eu, que assistem horrorizadas a crueldade e a ambição.


Não tenho vergonha disso, de falar mesmo que eu não acordo abrindo as janelas e falando com árvores. Que se fosse pela minha santa vontade, eu poderia acordar uma vez por ano, assistir tudo o que acontece e voltar para cama.



Iara De Dupont

7 comentários:

G. disse...

De fato, é isso mesmo, Iara. Também sou portador de síndrome do pânico e de depressão. Para algumas pessoas, é difícil compreender o que se passa com alguém que luta contra tais enfermidades. Às vezes, na boa intenção de ajudar, alguém poderá dizer: 'como pode se sentir assim, se você é saudável, tem as duas pernas, os dois braços, enxerga... Há pessoas que são deficientes físicas e vivem a vida com muito mais alegria que você'. Tais comentários, apesar de bem-intencionados, fazem com que a pessoa que tem depressão se sinta ainda pior, pois acrescenta a culpa aos sentimentos já negativos, com os quais o deprimido precisa lidar. Poderíamos comparar uma pessoa depressiva e "saudável" como a mencionada no comentário a um carro de boa aparência, porém com o motor em péssimo estado. Ademais poderíamos comparar a pessoa "deficiente" física também a um veículo com a lataria toda amassada, mas com motor em perfeitas condições de funcionamento. Ambos sendo olhados externamente poderiam gerar conclusões precipitadas. O carro bem-aparentado esconde um problema sério no motor, o carro amassado tem um motor super-potente. Uma pessoa deprimida, mesmo que aparente ser saudável, lida com a deficiência de serotonina, substância do cérebro, responsável pelas emoções positivas. De modo similar, a pessoa especial, embora lide com sérias condições de limitações físicas, talvez disponha de boa capacidade emocional, em razão de ter serotonina em bom grau em suas atividades cerebrais. Assim sendo, é compreensível que alguns tirem conclusões apressadas ao aconselhar o deprimido ou portador da síndrome de pânico. Apesar disso, em virtude do amplo número de informações já divulgadas a respeito desses males, acredito que a compreensão do público em geral, tem melhorado de forma acentuada. Grande abraço, Iara. Cuide-se bem...

manosca disse...

menina!!
parabens pela sua capacidade de se expressar ..com tanta intensidade
sua alma é linda...vc. é especial
e tudo na vida tem 2 lados...somos seres ilimitados...
abraços carinhosos de quem te admira.
manosca

Ramona Reichert disse...

Ola Iara!

Que bom que você me pediu para passar aqui. Me sinto menos sozinha toda vez que vejo que nesse mundo não sou só eu que vivo nessa dualidade. Dualidade sim, pq eu sou uma... e o pânico me faz outra (como diria Clarice Lispector: embora outra da mesma).
Quem nos chama de extremistas por tentar expressar o que sentimos (eu digo tentar, pq as palavras não conseguem demonstrar o que se passa de fato)são simplistas, são o tipo de pessoa que vive na superfície da vida.
E nem adianta tentar explicar nesse comentário, os superficiais (sempre felizes) não vão compreender nunca! Mas eu te entendo.

Como me achaste?

Abraço!

conversacomotravesseiro disse...

Vivemos no extremismo. Acredito quando vc diz que ainda disse pouco aqui. Quem não vive, não sabe. Cansei de buscar compreensão alheia. Hoje eu ME compreendo, no sentido de respeitar as limitações e, pelo menos, aliviar a carga de culpa que sempre carreguei.
Depressão pós crise... nem me fale. Você está me trazendo à memória momentos intensos da minha vida. É bom lembrar e saber, e poder dizer, que é possível superar. Não é fácil, mas é possível. E quando superar, verá q será alguém muito melhor, muito profunda, muito além da superficialidade desse mundo. Se eu fui capaz, você também é, porque eu não sou melhor que você. Então, continue botando pra fora e gritando, sempre que precisar de ajuda.
Beijos
Carina
carina.beatriz@gmail.com

Superman disse...

Eu acredito que todos devemos nos unir, pode parecer um tanto quanto brega para alguns, mas a união faz a força,tipo, compartilhar a experiencia de cada um e quem sabe surgir uma amizade verdadeira devido ao fato de termos problemas parecidos, acho que só que tem um problema igual ou semelhante como o nosso é que é capaz de nos entender, pena que a maioria de nossa sociedade querem que sejamos peças perfeitas para encaixar nesse mundo cada vez mais globalizado e apressado.

Beijos e parabéns pelo blog.

Nani disse...

só podemos desejar as pessoas que não entendem que elas não passem por isso, abraços

Flafli disse...

Não lembro quem escreveu isso, mas outro dia li: "a minha dor é pior, porque é minha". E é verdade! Ninguém pode julgar a intensidade da dor do outro baseado em suas próprias experiências... E como não ser intenso ao falar de sentimentos e sensações?!
Iara, extravase! Foi pra isso que criou o blog. O subtítulo já adverte: "Blog em carne viva". A leitura é mera escolha do visitante...

Um beijo!

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