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23 abril 2010

Dia de compras





Uma vez uma psicóloga me perguntou que sentimento eu compraria, se ele fosse vendido em um supermercado. Não estudei psicologia , então não tenho a menor ideia o que ela quis dizer nem com a pergunta nem com a resposta. Mas sei que muitas pessoas falariam AMOR ! O amor em si já traz a nobreza. Me pergunto qual seria minha resposta.

Dependendo do dia, da hora, da lua, do sol, dos planetas, eu compraria em escala industrial ALEGRIA. A mais artificial possível, sintética. Queria saber como se sente viver assim, sentindo uma alegria permanente, uma vontade de sorrir a todos, de ter sempre palavras doces para um mundo caótico. 

Eu olho a natureza e fico fascinada, olho um animal e acho a coisa mais linda, mas de repente meus olhos são levados ao outro lado, o lado humano que destrói, que tortura, que polui. E minha pouca e miserável alegria natural desaparece. Ela na resiste a maldade humana. Preciso comprar alegria e muita. 

Acabamos nos organizando mentalmente como se fossemos um supermercado. Dividimos pessoas e ideias em prateleiras, seções e promoções. Barramos a entrada de quem não gostamos, achamos que tudo está em ordem, nos deslumbramos com novidades. E por que não vender e comprar sentimentos como se fossem roupas? Eu tenho calças pretas, mas talvez tenha que comprar uma bege. 

Tenho cinismo, mas falta alegria. É a mesma coisa. Não cultivamos sentimentos, é melhor comprar. Porque então se a gente não gostar, a gente joga fora, pede para trocar, vai no PROCON. Se o sentimento apertar, doer, machucar, a gente processa quem vendeu, chama a televisão, faz uma denúncia. Se mexeu em alguma coisa lá no fundo, tocou em alguma ferida, aí vira caso de polícia, corre até perigo da pessoa que  vendeu  esse sentimento  de ser condenada por crime hediondo.

Continuamos com sentimentos  artificiais de supermercado. Pelo menos quando entramos em um tudo está limpo, no seu lugar. Mas nos fundos é uma nojeira. Comida estragada, péssima higiene, produtos velhos e chão sujo. Melhor mesmo não pensar nisso, deixar os olhos se perderem na beleza do néon que sempre tem promoção.

Iara De Dupont

8 comentários:

synara rillo disse...

Ola Iara.
Recebi sua postagem em meu blog e vim ver o seu. Bem legal, você da uma amplitude ao tema da dor humana, com sua ótica sensitiva e lirica, ao mesmo tempo. Alguns textos teus me remeteram - pela forma como discorres pelas sensações sentimentais que sentes (e vê)- ao livro do Andrew Solomom, o "Demônio do Meio-Dia, onde ele revela suas sensações e experiências com a doença depressão, desde sua visão pessoal até ao drama social que tal patologia trás. De resto, escreva e siga em frente. E permita-se ser (ter) mais alegria do que medos.
Abraço fraterno.
Synara Rillo
Médica Veterinária

Mary disse...

O consumidor é conquistado facilmente pelo lado emocional. A cada dia quer comprar mais e mais sentimentos, pela emoção.
Bjs

Mauro Sá disse...

Olá, obrigado por visitar meu blog. Estive por aqui e também lí alguns de seus posts.

Também já comprei alguns sentimentos no supermercado e, por sinal, vieram com brindes que eu não queria. Reclamei no PROCON, afinal, não sou obrigado a ficar com os brindes, mas por lá me disseram que não tinha devolução, brinde é brinde, então, acabei ficando com eles.

Ao comprar amizade, acabei ganhando um brinde chamado "por interesse".

Mas o brinde me fez perceber, que o produto, a amizade, não era de boa qualidade, era digamos que, genérica.

Foi aí que me dei conta, que não precisava ter comprado outra amizade, eu já tinha uma, guardada em casa, na prateleira junto com antigas fotografias esquecidas em um canto.

Essa sim, era verdadeira, original.

Acabei ficando contente com o brinde, pois aprendí a valorizar o produto original guardado em casa, e que eu nem tinha comprado, foi presente imagina só.

Embora tenha tido algum prejuízo, de tempo principalmente, nunca é tarde pra colocar no lixo os sentimentos comprados, que não funcionam, que só fazem volume no armário, que só fazem peso na mala, que só deixam marcas na alma.

A casa é nossa, só precisamos jogar fora o que não presta, fazer uma faxina geral nos sentimentos, e, quem sabe, a gente não acha a felicidade tão procurada, pois a gente insiste em procurar ela na casa dos outros ou, até mesmo, na prateleira do supermercado, enquanto ela está dentro da nossa casa, dentro de nós mesmos, escondida atrás do pó do recentimento, ou no meio da roupa suja da mágoa.

Há, perdão é um sentimento grátis, se alguém quiser te vender, não aceita porque é golpe!

Abraço.

Ed disse...

Já assistiu "Dexter"? Hoje fico nesta dica.

l. f. amancio disse...

Sem pensar duas vezes, eu compraria "leveza".

REGGINA MOON disse...

Iara,

Grata por sua visita, me apaixonei por seus textos, voltarei mais vezes...

"E por que não vender e comprar sentimentos como se fossem roupas?"

Nesse nosso mundo contemporâneo repleto de facilidades e modernidades, quem sabe isso um dia não será mesmo possível...não duvido de colocarem em prateleiras caixinhas de Amor, com prazo de validade...

ótimo texto!

beijos e bom final de semana!

Reggina Moon

Gugu Keller disse...

Vc escreveu este brilhante post num tom crítico ficcional, mas, se quer saber, tendo a crer que não estamos muito distantes disso.

Guilherme Canedo disse...

Quando você me falou em alegria artificial, eu fiquei imaginando por quanto tempo isso iria ficar nesse mercado tão capitalista... Sabe-se que a concorrencia é grande, e a cada segundo alguém inventaria um sentimento "não tão artificial" e assim sucessivamente, até chegar o ponto da alegria ser completa, ser real, mesmo que ela pareça tão impossível!


Muito bom seu texto

parabéns

Guilherme

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