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28 abril 2010

Escondendo a dor com rímel


Uma coisa que me tira do sério é quando as pessoas me dizem – Nossa, mas não parece que você tem síndrome do pânico!
O ''parecer'' e ''ser'' hoje são o mesmo verbo. É um clichê antigo, que usamos achando que não prejudica ninguém, quem tem síndrome do pânico deveria parecer sempre assustado ou coisa assim, não sendo assim também não existem mais pessoas com essa síndrome.

Deduzimos que só existe o que vemos. Eu uso rímel, desses que prometem milhões de coisas novas no meu olhar, então as pessoas deduzem que eu não tenho pânico. Se eu colocar um batom, uma cor mais forte, então vão pensar que eu nunca tive essa síndrome. E na realidade não faria nenhuma diferença continuar pensando assim, cada um faz o que quer com sua vida. O problema é que os números destroem nossas teorias. Cada dia aumenta o suicídio e as famílias dizem ''Nossa, mas não parecia que ele queria se matar!''

Perdemos pessoas porque simplesmente não parecia que elas tivessem alguma coisa. A leitura está errada. Eu sou a favor de um pouco de blush em um dia péssimo, eu mesma uso. Também uso um rabo de cavalo em dias que me cabelo acorda de mal humor. Acho normal as pessoas fazerem isso. O que eu não acho normal é esconder a alma usando essas coisas. É terrível pensar que nosso olhar se acostumou a isso, vemos um pouco de cor, de brilho, então concluímos que está tudo bem. Não vemos mais um ser humano diante de nós, vemos as cores da moda, a tendência do verão. E viramos zumbis, achando que está tudo bem. E se alguém se mata apenas dizemos – Nossa!

Nem percebemos que suicídio é a morte do corpo físico, esse que enchemos de enfeite. Porque a alma faz tempo que já morreu. Quando o corpo vai embora a alma já tinha milhões de anos morta. Mas ninguém tinha percebido. A
alma em si já é especialista em se esconder e se ainda por cima o corpo levar uma roupa colorida e o rosto um pouco do tom da moda, então nunca vamos nos ver como realmente somos, nunca vamos saber o que  o outro  sente. A dor do outro só podemos enxergar se chegamos bem perto e conseguimos ver além da cor e do rímel, então se a gente se aproximar vai ver dois olhos ali pedindo socorro. Isso nada no mundo pode esconder, nem o melhor rímel do mundo.


Iara De Dupont

7 comentários:

Bruna Novais disse...

Parabens pelo blog. Entrei aqui atraves do delirio coletivo. Suas palavras refletem exatamento o que eu também sinto.
Bjus

Escritor em treinamento disse...

"Os outros nunca sentem.
Quem sente somos nós,
Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei...
Um nada que dói.."

Álvaro de Campos


Não dando para saber, melhor supor, se enganar. Já é terrível ter de decifrar a si mesmo...

PS: Quando vc aparenta oq é, ainda se corre o risco de que queiram te mudar, te fazer ser o que se supunha que vc era e deveria ser.

conversacomotravesseiro disse...

Eu e a Alyson (do Suicida Sobrevivente) já discutimos isso. Tbém me falam: "Nossa! Não parece q vc tem depressão". O q eu respondo? Não parece pq nos meus piores dias eu me trancafio em casa e não vejo nem a cor da rua. Vc só me vê nos dias melhores (ou menos piores). Com o pânico, principalmente. A pesoa só vai acreditar se te ver numa crise? Quer dizer q por ser depremida eu tenho q andar de roupa amassada, olheiras profundas e cara de desgosto? Escrevi, essa semana, sobre meu primo, q se suicidou. Ele era lindo, cheiroso e simpático. Mas só quem estava disposto a ouvi-lo sabiam o q ele passava. Infelizmente, esses eram poucos...

Estou gostando cada vez mais e ainda te devo um e-mail comentando sobre seu livro, que já li.
Bjs

Pâmela Grassi disse...

Olá Isa,

Agradeço pela visita no blog da minha pessoa e pelo convite em percorrer o teu. Confesso que soa novidadade para meus olhos estes cantos tão profundos de uma boniteza cheia de vida,

Å®t Øf £övë disse...

Lara,
É bem verdade tudo o que aqui dizes. E deixa-me que te diga, que em minha opinião a linha que separa a sanidade mental, da loucura, é muito ténue, e todos nós estamos em permanente perigo de a transpormos.
Bjs.

Diz disse...

Vc disse que gostou do meu blog- tb gostei do seu.
Mas qta tristeza! ai ai
tb passo por fases assim.
Vamos conversar mais.
E olhe, li até ali embaixo, acho que no fundo do poço tem, sim, uma mola. Talvez a sua mola sejamos nós aqui.
Vc não está só.
Bj Laura-Elianne.

Guilherme Habib disse...

Não culpemos ou achemos estranho o que o desenvolvimento histórico levou a sociedade a ser, se a superficie é o padrão social atual por quê o é?

Exigir de um mundo que se organiza a partir da aparência, de uma sociedade que se exige não como humanidade mas sim como resultado irracional do movimento que a criou; a humanidade criou em sua inconsciência as forças que a controlam e que lhe dão seu caráter superficial.

Como uma sociedade de homens que se comunica e se organiza entorno do vender pode ser livre ou até mesmo profunda?

ps: meu blog anda de fato desatualizado, e achei bem legal alguém após anos ter o descoberto, se puderes mater contato me sentirei muito bem com isto.

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