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13 abril 2010

A corda que não está no pescoço




O que vemos podemos julgar, falar, opinar. O que não vemos nos deixa desconcertados, mas mesmo assim vamos opinar. Agora, o invisível que se sente, isso congela tudo. 
Não tem como explicar para parentes, amores e amigos o que é a síndrome do pânico .Sentir o que não conseguimos explicar consome muito tempo, toda a energia e altera nossa percepção dos outros. Durante anos nunca parei para pensar na dor dos meus pais, do meus irmão. Não pensei em como deve ter sido terrível  para eles me verem debatendo entre paredes, me desfazendo, virando pó e eles sem poder fazer nada. Eu culpei eles pela ignorância, por não saber o que acontecia comigo, reclamei esforços que eu achava que tinham que ser feitos e coisas que tinham que ser ditas. 
Mas não vi a dor deles. Estava tão mergulhada no meu abismo, tão convencida que ninguém me entendia, que ninguém podia me ajudar.

Eu nunca estive do outro lado. Não sei o que é ver alguém lidando com dores invisíveis, falando coisas que a medicina não entende e o mundo não explica.
Lamento profundamente a dor que causei, mas não foi proposital, nem eu teria escolhido um caminho  tão tortuoso como esse  de livre e espontânea vontade. Também fui vítima da minha ignorância, de alguma coisa do destino, podia ter sido outra doença, não estava nas minhas mãos escolher. Estava apenas  falar disso e eu não fiz. E não fiz por não saber o que acontecia.

Mas não saber o que eu passava não redime todo mundo na minha história. De alguns amores quero a mesma distância que a NASA tem de sua base em Marte. Porque têm pessoas que soltam tua mão no pior momento. Isso não se faz nem com um animal. Não precisa saber o que acontece para segurar a mão de alguém que amamos no pior momento. Não precisamos ter tudo esclarecido para apoiar alguém. 

Nessas horas temos que nos guiar por algum amor, algum instinto, alguma gota de compaixão. Segundo o monges tibetanos a única coisa que pode salvar o ser humano é a compaixão. Coisa complexa para todos nós. Não temos compaixão nem por nós mesmos, quem dirá pelos outros.

Não seguramos só as cordas que conhecemos, apesar de  acreditarmos que sim. Seguramos muitas que nem sabemos da onde vem. São as cordas invisíveis que nos seguram no pior momento e sempre deixam a certeza que se um ser humano não tem compaixão pelo outro, alguma coisa, alguma força estranha tem e vamos ser amparados sempre, quem tem a síndrome do pânico sabe o que é cair no vazio, mas mesmo sem sentir existe uma rede invisível que nos ampara apesar de tudo. Ainda bem.


Iara De Dupont

3 comentários:

Calvin disse...

Desejo dias melhores pra vc!

Quero que consiga olhar pra vc e pra fora. Olhar pro outro. Mudar a direção do olhar... O modo de ver as coisas...

Mas que seja do seu jeito, do jeito que puder fazer...

Quando puder me visite
http://umaenormecontradicao.blogspot.com/

Abraço!

manosca disse...

estamos aqui de passagem neste imenso coração pulsante...para aprendermos.... e, é o sofrimento infelizmente que mais nos empurra para cima para enxergarmos a nossa luz e a luz dos outros...
só entendemos a dor do outro qdo andamos com seus próprios calçados....

Lucas disse...

Seus textos me inspiraram bastante.
Eu tembém tenho a suposta síndrome e aprendi a deixar o pânico fuir ao invez de lutar contra ele.

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